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sábado, 30 de outubro de 2021
História de Terror - Noite Infernal
Há muito tempo atrás eu trabalhava em uma agência bancária. Era um ótimo emprego, bom salário e um plano de saúde melhor ainda. Na época eu ainda era solteiro e morava sozinho em um apartamento que ficava próximo da agência.
Certo dia, como de costume eu saí do trabalho, passei pelo meu restaurante favorito, comprei uma marmita e fui para casa. Quando eu cheguei lá, notei algo estranho, não era nada palpável, tudo estava como eu deixei, mas senti uma sensação estranha, como se estivesse entrando na casa de alguém. Eu senti um aroma floral por todos cantos da casa. Agora, quando eu penso bem, era o mesmo cheiro que nós sentimos quando entramos em um cemitério. Um cheiro forte de flores tentando cobrir o cheiro de podridão.
Acho que o meu nariz foi se acostumando com o aroma, logo o cheiro saiu da minha cabeça. Eu fiquei o resto da noite jogando no computador. Por volta da meia noite eu decidi dormir. Liguei a televisão do quarto e fiquei assistindo uma série até pegar no sono.
Assim que eu fechei os olhos e cochilei escutei um barulho vindo da porta. Eu acordei assustado procurando ao redor o que tinha causado o ruído e até me levantei para olhar no corredor. Não encontrei nada errado e voltei para a cama, continuei assistindo televisão e outra vez cochilei, aí eu escutei algo muito mais sinistro. Era o som de uma pessoa tentando falar, arregalei os olhos e quando virei para o lado de onde o som veio eu vi a silhueta de uma pessoa, ou alguma coisa parada na porta do quarto. Imediatamente eu soube que aquilo não era humano, pois a sombra não era sólida.
Eu gritei, girei meu corpo na cama e com um pé fechei a porta do quarto deixando a figura do lado de fora. Em seguida eu levantei e acendi a luz. Com o susto meu sono foi completamente embora e eu fiquei alí aterrorizado sem saber o que fazer, pois eu não tinha nenhuma idéia de como me livrar daquilo. Fiquei alí deitado com a luz acesa, a televisão no fundo me fazendo companhia e com o celular na mão, conversando com amigos pelo whatsapp. Decidi não contar a ninguém sobre o ocorrido porque ninguém acredita nessas coisas e ainda ficam zoando dizendo que somos medrosos.
A noite foi passando e eu continuei trancado no quarto e com o sono cada vez mais pesado, eu já não estava mais aguentando ficar acordado. O relógio marcava quatro e meia da manhã e a vontade de usar o banheiro aumentava a cada minuto, mas eu aguentava firme como um prisioneiro em sua cela. Mas o cansaço é traiçoeiro e eu acabei pegando no sono.
Outra vez fui acordado pelo fantasma e desta vez com um som maligno. Meu coração batia tão rápido e forte que eu achei que aquele seria meu fim. Inocentemente eu pensei que estava seguro trancado no quarto, mas não estava. Notei um leve movimento na cortina que de repente tomou forma e lentamente movia-se em minha direção.
Entrei embaixo da coberta e fiz a única coisa que eu consegui, eu chorei. Eu senti a presença se aproximando da cama, colocando sua mão em mim e arranhando o tecido, tentando puxar a coberta para baixo, desesperado eu segurava forte. Naquele momento eu soube o que é terror verdadeiro.
De uma vez eu senti como se um tivesse tirado um peso das costas, o ambiente voltou ao normal e senti uma tranquilidade interior. Eu descobri o rosto e vi que novamente estava sozinho.
Eu passei o resto da noite vendo vídeos no celular, esperando a proteção da luz do dia. Assisti os primeiros raios do sol saindo por trás do horizonte com um alívio inexplicável. Eu estava me sentindo um trapo, mandei uma mensagem para o meu gerente avisando que não iria trabalhar porque estava doente. Com a janela aberta deixando o sol tocar no meu rosto eu desmaiei. Horas depois eu acordei me sentindo bem melhor. Peguei meu celular e tinha dezenas de ligações e mensagens. Uma tragédia havia acontecido.
Se você trabalha em um banco ou lugar onde se movimente dinheiro ou coisas de valor, você sabe que há um medo diário de assalto. E foi exatamente nesse dia que um assalto ocorreu naquele banco. Mas isso não é o mais sinistro.
O assaltante que estava recolhendo dinheiro dos caixas deu um tiro no peito de um companheiro de trabalho que morreu na hora. E acontece que ele não trabalhava no caixa, ele estava lá porque eu faltei então ele estava me cobrindo.
É claro que eu não posso explicar o que aconteceu, mas às vezes eu penso como aquela entidade sabia o que ia acontecer e se ela queria salvar minha vida ou destruir a do meu colega.
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Paulo Enrique Garcia
domingo, 13 de junho de 2021
4 Serial Killers Macabros - Fatos Reais [Satanismo, Vampirismo, Sadismo, Necrofilia]
Aquele seu vizinho quieto e bonzinho, que te ajudou a carregar as compras outro dia, pode não ser quem você pensa que ele é. Se você quer conhecer algumas histórias sinistras dos serial killers mais cruéis da história não deixe de assistir esse vídeo até o final. Mas um alerta, esse vídeo não somente vai te lembrar de trancar a porta mas também vai fazer você perder a confiança a todos.
John Wayne Gacy, O Palhaço Assassino
A bizarrice desse serial killer começou desde cedo. Ainda adolescente ele consegiu um emprego de atendente de um necrotério, Gacy dormia em uma cama atrás da sala de embalsamamento. Nesta função, ele observava os agentes funerários embalsamando cadáveres e depois, confessou que em uma noite quando estava sozinho, entrou no caixão de um adolescente falecido, e ficou acariciando e abraçando o cadáver antes de sentir uma sensação de choque. Gacy mais tarde afirmou ter se envolvido em atos de necrofilia enquanto trabalhava no necrotério. Ele se justificou dizendo que os cadáveres que ele profanou eram "apenas coisas mortas e não diriam nada a ninguém".
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Paulo Enrique Garcia
sábado, 8 de maio de 2021
9 Fatos Sinistros Sobre Filme de Terror O Exorcista
Um dos melhores filmes de terror na história do cinema. O Exorcista é um filme aclamado tanto pela audiência quanto pela crítica.
Não há dúvidas de que quando falamos em filmes de exorcismo, um dos primeiros filmes que nos vem a mente é o clássico, O Exorcista. Lançado em 26 de dezembro de 1973 nos Estados unidos, ele aterrorizou e ainda hoje continua aterrorizando a audiência.
Uma atriz vai gradativamente tomando consciência de que a sua filha de doze anos está tendo um comportamento completamente assustador. Deste modo, ela pede ajuda a um padre, que também é um psiquiatra, e este chega a conclusão de que a garota está possuída pelo demônio Pazuzu. Ele solicita então a ajuda de um segundo sacerdote, especialista em exorcismo, para tentar livrar a menina desta terrível possessão.
Não há dúvidas de que quando falamos em filmes de exorcismo, um dos primeiros filmes que nos vem a mente é o clássico, O Exorcista. Lançado em 26 de dezembro de 1973 nos Estados unidos, ele aterrorizou e ainda hoje continua aterrorizando a audiência.
Uma atriz vai gradativamente tomando consciência de que a sua filha de doze anos está tendo um comportamento completamente assustador. Deste modo, ela pede ajuda a um padre, que também é um psiquiatra, e este chega a conclusão de que a garota está possuída pelo demônio Pazuzu. Ele solicita então a ajuda de um segundo sacerdote, especialista em exorcismo, para tentar livrar a menina desta terrível possessão.
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Paulo Enrique Garcia
segunda-feira, 26 de abril de 2021
Lugares Assombrados - Murder Castle - H. H. Holmes
Um casa construída com o propósito sinistro de ser usada como uma cela de tortura e morte. Uma mente assassina que se divertia com suas vítimas. Conheça um pouco da história de H. H. Holmes e seu castelo de horrores. Holmes é onsiderado o primeiro serial killer nos estados unidos.
O Murder Castle é um dos lugares assombrados mais famosos dos Estados Unidos e lugar perfeito para uma história de terror. Possivelmente uma casa assombrada por fantasmas que ainda clamam por vingança.
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Paulo Enrique Garcia
sexta-feira, 16 de abril de 2021
Historias de Terror - Amor de mãe [ Relato Sobrenatural ]
Historias de Terror - Amor de mãe
Semana passada eu estava assistindo a um programa de televisão, desses do tipos que mostram experiências sobrenaturais reais e decidi contar essa história que tem me assombrado desde que eu tinha 12 anos. Na época meu melhor amigo se chamava Mateus. Nós nos conhecemos na pré-escola e nos tornamos inseparáveis.
Nós estudávamos juntos e Mateus morava uma rua abaixo da minha. Ele morava somente com sua mãe, seu pai era um homem muito estranho e sua mãe se divorciou porque ele era abusivo. Eu me lembro dele, estava sempre irritado, olhava torto para mim e andava sempre resmungando.
Mateus nem podia escutar falar do pai ele ficava com medo e triste. Uma vez ele me disse que se um dia sua mãe o mandasse morar com o pai ele fugiria de casa. Ele odiava o pai de verdade.
Todos os dias nós voltávamos da escola juntos. Caminhávamos os quatro quarteirões até minha casa onde eu deixava minha mochila e depois íamos para sua casa que tinha um quintal grande onde brincávamos até anoitecer.
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Paulo Enrique Garcia
quinta-feira, 31 de maio de 2018
Histórias de Terror - Recanto Rústico - Parte 2
Se você ainda não leu a primeira parte clique no link abaixo para Ler:
Recanto Rústico - Parte 1
Amanda não voltou para casa naquela noite. Os dias passaram; Não me foi dada nenhuma pista sobre o paradeiro dela. Liguei algumas vezes, mas o telefone dela estava desligado. Eu deveria estar preocupado que ela tinha deixado suas coisas no apartamento. Mas ela tinha sua carteira de identidade e cartões bancários, tinha muitos uniformes limpos guardados na casa de seus pais, e presumi que ninguém em sua família gostava o suficiente de mim para ligar.
Finalmente, uma semana depois, Gabriel e eu fomos mandados de volta a Recanto Rústico.
Eu não lembro quem ou o que deveríamos buscar. Estávamos andando pelo pequeno vestíbulo, notando a ausência de Greta, quando senti as mãos ao redor da minha cintura. Mãos minúsculas e bem cuidadas. Amanda estava atrás de mim, parecendo mais feliz do que nunca. Gabriel sacudiu a cabeça e disse que me encontraria no segundo andar.
Quando ele se foi, Amanda me pegou pela mão e me levou embora. Em direção à porta dos fundos, que só era usada por enfermeiras que fumavam. Por um corredor estreito que eu nunca havia notado, que se estendia para a esquerda da porta dos fundos e terminava em um beco sem saída.
"Amanda", eu disse, "por onde você esteve? Eu estava começando a ficar preocupado."
Ela parou de puxar e se virou, me segurando perto. Ela colocou os braços em volta do meu pescoço, ficou na ponta dos pés e me beijou apaixonadamente.
"Eu estava com uma amiga", ela murmurou no meu ouvido. "Eu sinto sua falta, Fernando."
Ela me beijou novamente, então se afastou e puxou minha mão com uma força surpreendente. Ela parou em frente a um pequeno armário de armazenamento, em frente ao depósito do zelador.
"Faça amor comigo, Fernando", ela respirou, sua voz sensual. "Eu conheço um lugar especial."
Ela pegou a maçaneta. Assim que ela soltou minha mão, meus sentidos voltaram para a terra.
"Amanda", eu disse gentilmente, "eu tenho que pegar um paciente. Venha para casa hoje à noite. Nós vamos conversar.
Ela olhou nos meus olhos com um sorriso "venha aqui". Por alguma razão, isso me assustou. Talvez porque sua boca parecia se estender um pouco longe demais em suas bochechas. Ou seu olhos arregalados. Ou talvez porque, nos seis anos em que havíamos sido um casal, Amanda nunca usou a frase “faça amor comigo”. De um jeito ou de outro, meu radar de esquisitice captou alguma coisa, e com mais um “venha para casa hoje à noite” Eu escapei para o elevador.
"Fernando!" Amanda me chamou, eu não me virei.
No segundo andar, encontrei Gabriel conversando com uma mulher coreana que reconheci como a enfermeira-chefe do primeiro andar, a supervisora de Amanda. A enfermeira olhou quando ela me viu.
"Ei você", ela disse rudemente, "você é o marido de Amanda, certo?"
Eu balancei a cabeça, convidando o comentário malicioso.
“Onde esta sua esposa?” Ela perguntou. "O telefone dela está morto, ela não apareceu para o trabalho em uma semana."
"Hum, ela está aqui", eu disse. “Ela está lá embaixo. Acabei de falar com ela.
A enfermeira sacudiu a cabeça. "Bem, eu não a vi o dia todo, e acabei de sair do escritório há cinco minutos. Ela não bate o ponto desde o dia doze.
Eu estava confuso. Eu disse algo para a enfermeira, então desci as escadas para o primeiro andar para encontrar Amanda e provar sua presença. Eu a beijei, senti seus braços em volta de mim. Então, ou ela estava deliberadamente zuando com sua supervisora ou então a supervisora era louca.
Ou eu estava louco.
Ninguém estava na mesa das enfermeiras do primeiro andar. Eu andei pelos corredores, espiando os quartos. Nada da Amanda. Então pensei em alguma coisa. Ela não tinha marcado desde o décimo segundo. O 12 de fevereiro. Isso soa familiar.
Eu chequei meu telefone. A última ligação perdida da Amanda ocorreu no dia 12 de fevereiro. Esse foi o dia em que ela me perseguiu no saguão, acusou-me de chamar seu nome em uma "voz assustadora", exigindo o divórcio.
Eu vi o ícone do correio de voz e lembrei que ela havia me deixado uma mensagem naquele dia. Disquei meu correio de voz, apaguei algumas mensagens e ouvi a voz da minha esposa. Sua voz soluçante, apavorada e aterrorizada.
"Fernando!" Ela respirou. “Fernando, sei que você não está aqui, mas continuo ouvindo sua voz. E eu te vi novamente. Mas não foi você, porque seu rosto estava todo embaçado. Então você… você entrou no armário e desapareceu. Isso é uma piada? Por favor, me diga que isso é um ...
Ela engasgou e ouvi o telefone cair. Então uma voz masculina abafada. Uma voz que soava terrivelmente familiar, dizendo algo como "achei você!"
Então ouvi outra voz. A voz da minha esposa. Chamando meu nome. Mas não estava vindo do meu celular.
“Fernando! Fernando!
Eu segui a voz. Estava vindo da entrada dos fundos, da direção do armário que a Amanda tentou me arrastar. Quando me aproximei, lembrei-me do que me disseram sobre a velha Greta. Ela enlouqueceu e eles a encontraram arranhando na porta de um armário. Teria sido essa porta?
Eu girei a maçaneta, liguei o interruptor de luz.
Eu me vi olhando para uma pequena e empoeirada sala de armazenamento, aparentemente usada como lixeira de caixas de papelão e equipamentos quebrados. O chão estava descascando e teias de aranha pendiam de duas prateleiras baratas de metal. Uma camada grossa de poeira me disse que essa sala raramente era acessada pela equipe de enfermagem.
Eu ouvi de novo.
“Fernando! Fernando!
Eu fiz um 360, então fui atingido com a percepção vertiginosa de que a voz estava vindo de baixo do chão.
Qualquer um com o QI de um macaco poderia dizer que eu deveria ter desistido. Que uma voz incorpórea chamando meu nome, embaixo do chão no primeiro andar de um prédio, não era um fenômeno que eu deveria investigar sozinho. Mas, em algum lugar entre a minha conversa sexy com Amanda e sua mensagem bizarra no meu celular eu parei de pensar logicamente.
Eu olhei em volta. Sem portas, sem escadas, e eu sabia que não havia um botão "porão" nos elevadores. Então eu vi isso. Embaixo de uma das prateleiras - um alçapão. E um pequeno objeto preto. Eu me ajoelhei para olhar.
Um Motorola Razr, com uma capa Hello Kitty e uma pequena rachadura no canto inferior esquerdo da tela. O telefone da Amanda.
Essa descoberta estimulou meu sistema nervoso. Levantei-me, peguei a prateleira e puxei. Com um VOOM alto, a estrutura de metal girou. Eu examinei o alçapão. Estava trancado e preso com uma fechadura enferrujada e empoeirada.
A voz de Amanda - mais alta - flutuou por baixo. “Fernando! Venha me encontrar, Fernando!
Usando meu canivete, abri facilmente o cadeado velho. Então eu levantei.
Eu vi a escuridão. Quando meus olhos se ajustaram, vi escadas. Escadas de madeira úmidas e podres que levam a algum tipo de adega. Eu respirei e fiz vomito. O cheiro de mofo e terra era avassalador. Era o cheiro de um galpão de madeira depois da chuva, misturado com o cheiro de uma pilha de compostagem, misturado com um cheiro que lembrava a família de gambás que havia ficado presa de baixo do trailer de minha mãe em dezembro, morreu e apodreceu até abril.
"Fernando!" Amanda chorou novamente. Desta vez, ela parecia agitada. Assustada.
Eu respirei fundo e depois desci.
Eu continuei cautelosamente - telefone celular em uma mão, canivete agarrado na outra - passo a passo. Pela luz azul pálida da tela da minha cela, vi o chão sujo. Eu peguei uma mancha escura que deve ter sido uma poça, e ouvi um leve gotejar. As paredes eram de cimento cinza com desenhos pretos pintados nelas.
Então, minha luz fraca caiu sobre uma mulher com roupas azuis e longos cabelos negros. Amanda.
"Amanda!" Eu gritei. "Amanda! Que porra você está fazendo ...
“Shhh.” Ela colocou o dedo nos lábios enquanto se aproximava da escuridão.
Então eu estava de pé no chão de terra e ela estava perto. Perto o suficiente para eu ver que as feições dela não estavam certas. Seus olhos eram muito pequenos. Seu nariz era muito plano.
Ela pegou minhas mãos. Seus traços mudaram, borrando para dentro e fora de foco. Foi um efeito da luz que entrava pelo alçapão? Os meus olhos ainda estavam se ajustando? E por que Amanda, de todos os lugares, escolheu ...
E então a boca dela estava na contra a minha sua. Sua língua entrou em minha boca.
Eu não consegui comer por três dias. Eu senti sua língua quente se dissolver na minha boca. Tornando-se fria e morta. Quebrar em pedaços de gelo que tinham gosto de poeira e repolho amarrado e peixe podre, expandindo na minha garganta e me sufocando...
Eu me afastei, tossindo e cuspindo e tentando gritar. Eu deixei cair meu telefone. Enquanto eu secava, ouvi a risada de Amanda. Agora parecia distante. Sem pensar, me levantei.
Meu telefone aterrissou em uma poça, criando um holofote invertido. Um corpo, com uma corda em volta do pescoço, pendia das vigas. Imobilizado pelo terror, fui forçado a aceitar todos os detalhes.
Uniforme de enfermeira. Pés balançando sem vida. Como mãos formando garras, corpo duro por rigor mortis. Cabelo preto comprido. Bochechas roxas, boca aberta, língua inchada pingando saliva escura. Olhos de opala sangrentos que se projetam como um personagem de desenho animado demente, olhando para o esquecimento.
Amanda, morta.
Eu não sei quanto tempo eu olhei para a minha esposa morta pendurada no teto antes de sentir a mão no meu ombro. Sacudido da minha paralisia traumatizada, eu me virei.
Iluminado pela luz do alçapão aberto, minha imagem estava na minha frente.
Enquanto o sósia de Amanda entrava e saía de foco, o meu era explícito, grosseiramente exato em todos os mínimos detalhes. Os pequenos pêlos das minhas bochechas com barba por fazer. A espinha vermelha na minha testa. A cicatriz no canto do meu olho, de quando eu “caí da minha bicicleta” durante uma das agressões do meu segundo padrasto de bêbado. Meu sorriso era malicioso e triunfante. Então disse, com uma voz distorcida.
"Você não vai dizer 'obrigado'?"
E começou a derreter.
Eu não me lembro muito depois disso. Eu ouvi minha própria voz gritando - se era eu ou meu sósia putrefato, eu não quero descobrir. Havia mais vozes, vozes de mulheres, gritos de mulheres. Mãos ásperas em mim, um braço em volta dos meus ombros, me levando para cima ... depois a luz do sol, depois as sirenes.
Amanda estava morta há mais de uma semana. Isso é o que os policiais me disseram, a segunda vez que fui questionado. Os tipos de perguntas que eles estavam perguntando, eu tinha certeza que eles iriam colocar a culpa em mim, especialmente dada a natureza do meu relacionamento com a Amanda. Mas eles não o fizeram.
No final, eles decidiram que foi suicídio. Ela morreu por estrangulamento, embora eles não soubessem como ela conseguiu. Ela deve ter encontrado a corda já pendurada nas vigas - o porão tinha quatorze metros de altura; não havia como ela ter sido capaz de subir e amarrar sozinha. Nem conseguiram encontrar a cadeira ou banquinho que ela havia pulado.
Eles não sabiam como ela havia encontrado o porão. Nenhuma das enfermeiras sabia que a adega de chão sujo existia. Quando a empresa de assistência médica comprou e destruiu o local, eles deixaram a parte de trás do primeiro andar como estava. Nenhuma atenção foi dada ao pequeno e triste armário.
E ninguém poderia explicar como ela tinha entrado no porão em primeiro lugar. Havia apenas uma entrada - o alçapão. O alçapão que eu encontrei, trancado do lado de fora.
Mesmo com o relatório do legista, os policiais tiveram dificuldade em fixar uma linha do tempo. Amanda desapareceu no dia 12, e a enfermeira chefe era inflexível. Insisti em vê-la viva no dia em que seu corpo foi encontrado. Gabriel me apoiou.
Nós não estávamos sozinhos.
Outra enfermeira conversou com Amanda no dia 15; ela se lembrou da data porque era o dia depois do dia de São Valentim. E um paciente alegou que ele não tinha realmente visto Amanda, já que estava escuro e sua visão não era o que costumava ser, mas tinha ouvido a voz dela cantando para ele dormir.
Este era particularmente estranho, porque a noite em que o velho supostamente ouviu Amanda cantar era umas duas semanas depois que ela morreu, e uma semana depois de seu corpo em decomposição ter sido recuperado. Os policiais o escreveram confuso. Mas não tenho tanta certeza.
*****
Eu saí da cidade depois do funeral de Amanda. Meu pai em minha cidade natal, com quem eu não falava há anos, ligou inesperadamente e me convidou para ficar com ele. Quando os flashbacks pararam e as lembranças chegaram ao fim, eu apertei os parafusos soltos na minha cabeça e fui para a escola de paramédicos.
Só me candidatei ao emprego de paramédico do estado porque era ultra competitivo e presumi que não seria aprovado no exame psiquiátrico. Quando meu pacote chegou pelo correio, peguei-o na varanda com as mãos trêmulas. Eu queria dizer não. Mas era o trabalho pelo qual um milhão de pessoas mataria; e meu pai me disse que ele me derrubaria, me jogaria na traseira de sua caminhonete e me deixaria nos degraus da estação se fosse necessário.
*****
Voltei para a cidade onde vivia com Amanda em março deste ano. Eu não conhecia ninguém; Eu perdi contato com todos os meus velhos amigos e Gabriel estava em em outro estado na faculdade de medicina. Meu novo parceiro era um cara legal. Ele me convidou para um churrasco em sua igreja, prometendo que haveria muitas pessoas da nossa idade.
Não havia, mas eu conheci o tio Raul do meu novo parceiro, um policial aposentado. Nós conversamos, e eu soube que ele tinha sido um dos policiais que investigaram a morte de Amanda. Ele foi legal. Eu nunca fui um suspeito, ele me assegurou. Suicídio foi a única conclusão lógica.
"Conclusão lógica", ele disse sarcasticamente. Então, ele me perguntou o que eu sabia sobre fenômenos sobrenaturais.
Eu forcei uma risada. Ele não fez isso.
Ele perguntou se eu tinha visto as paredes de concreto do porão, a sala subterrânea onde Amanda foi encontrada morta. Haviam pequenos desenhos pretos, lembrei-me.
Eles eram rostos, ele me disse.
Enfrenta todas as paredes do porão. Alguns eram reconhecíveis - funcionários da Recanto Rústico, pacientes, visitantes. Alguns eram os rostos das pessoas cujas fotos eram exibidas pelos pacientes. Familiares, amigos mortos, celebridades, até o papa. Havia centenas deles.
E a parte mais estranha era que eles não conseguiam descobrir como os rostos haviam chegado lá. As amostras foram testadas; nenhum traço de tinta ou corante foi encontrado. Nada poderia lavá-los e, nos locais de amostras, os rostos eram redesenhados em poucas horas.
Meu rosto estava lá. O mesmo aconteceu com a Amanda. E em sua terceira viagem, Raul encontrou seu rosto.
Os proprietários da Recanto Rústico decidiram por unanimidade vender a propriedade. Quando ninguém o comprou, eles o abandonaram, enviando seus 168 moradores para outras instalações.
Aparentemente, eles tiveram mais problemas com o lugar nos três anos desde a remodelação do que valeu a pena. Houve nove suicídios nesse período - quatro pacientes, cinco funcionários.
Outras mortes misteriosas também. Sobre o que eu tinha falado - a enfermeira deu uma dose extra de Metoprolol porque o "diretor médico" disse a ela. Em outra ocasião, um fisioterapeuta encontrou um paciente cego, não ambulatorial, trancado no banheiro da equipe, morto, com uma tesoura de saindo do peito.
E então, havia a história do edifício. Anteriormente, havia sido usado o alojamento de sem tetos. Raul havia sido chamado lá muitas vezes quando ele era um policial, e sempre tinha uma vibração estranha do lugar. Outros policiais insistiam que o lugar era assombrado.
Em 2001, o prédio quase queimou. Incêndio culposo. Um menino de 12 anos trancou a mãe no quarto dela, pôs fogo no sofá, depois pulou da janela do quarto andar. Sete pessoas morreram, incluindo um oficial da polícia. Antes desse incidente, o garoto estava agindo de forma bizarra, alegando ter visto o fantasma de seu pai, que havia sido assassinado anos antes.
Raul e eu nos despedimos. Eu dirigi para casa. Pensei em Greta, de cabelo alaranjado e pensei em Herbert. Ela viu seu filho morto, ele viu o homem que ele se arrependeu de ter deixado para trás. E Amanda e eu nos vimos. Versões mais felizes e lúgubres uma da outra - versões ainda apaixonadas.
No dia seguinte, fiz algumas pesquisas sobre sósias. Mensageiros de destruição, incorporações do lado negro, como Jekyll e Hyde. Isso me levou à filosofia da sombra da junguiana. A sombra de si é a manifestação de pensamentos maus, egoístas e enterrados. Os pensamentos que você não tem permissão para pensar, os pensamentos que você nega.
Eu pensei sobre o que meu sósia tinha dito: "você não vai dizer obrigado?"
Seja qual for o demônio ou espírito que vivesse naquele porão - ele coletava rostos. Poderia mudar de forma, tornar-se a imagem cuspida de qualquer forma humana que visse, e conhecia nossos desejos e nossos arrependimentos. Nossos medos. Veio para Greta como seu filho, depois usou o amor de Greta para enlouquecê-la. Ele recriou a imagem que Herbert via em seus pesadelos culposos. Eu queria que Amanda me amasse de novo, mas uma parte de mim queria que ela desaparece para sempre. A entidade me deu ambos.
*****
Eu dirijo por esse prédio, às vezes, o ex-Recanto Rústico. O asfalto está rachado agora e as janelas estão quebradas. Eu me pergunto se as paredes mudaram, se há agora mais rostos - talvez aqueles de transientes ou viciados que, ingenuamente, olham para a estrutura abandonada como abrigo.
Às vezes eu pego algo pelo canto do olho, através de uma janela escura. Às vezes parece um rosto humano olhando para mim. Mas eu nunca deixei meu olhar fixar. Tenho medo de ver o rosto dela, meus erros, reviver sua morte e parte de minha culpa inadvertida.
E temo que eu me veja novamente.
Recanto Rústico - Parte 1
Amanda não voltou para casa naquela noite. Os dias passaram; Não me foi dada nenhuma pista sobre o paradeiro dela. Liguei algumas vezes, mas o telefone dela estava desligado. Eu deveria estar preocupado que ela tinha deixado suas coisas no apartamento. Mas ela tinha sua carteira de identidade e cartões bancários, tinha muitos uniformes limpos guardados na casa de seus pais, e presumi que ninguém em sua família gostava o suficiente de mim para ligar.
Finalmente, uma semana depois, Gabriel e eu fomos mandados de volta a Recanto Rústico.
Eu não lembro quem ou o que deveríamos buscar. Estávamos andando pelo pequeno vestíbulo, notando a ausência de Greta, quando senti as mãos ao redor da minha cintura. Mãos minúsculas e bem cuidadas. Amanda estava atrás de mim, parecendo mais feliz do que nunca. Gabriel sacudiu a cabeça e disse que me encontraria no segundo andar.
Quando ele se foi, Amanda me pegou pela mão e me levou embora. Em direção à porta dos fundos, que só era usada por enfermeiras que fumavam. Por um corredor estreito que eu nunca havia notado, que se estendia para a esquerda da porta dos fundos e terminava em um beco sem saída.
"Amanda", eu disse, "por onde você esteve? Eu estava começando a ficar preocupado."
Ela parou de puxar e se virou, me segurando perto. Ela colocou os braços em volta do meu pescoço, ficou na ponta dos pés e me beijou apaixonadamente.
"Eu estava com uma amiga", ela murmurou no meu ouvido. "Eu sinto sua falta, Fernando."
Ela me beijou novamente, então se afastou e puxou minha mão com uma força surpreendente. Ela parou em frente a um pequeno armário de armazenamento, em frente ao depósito do zelador.
"Faça amor comigo, Fernando", ela respirou, sua voz sensual. "Eu conheço um lugar especial."
Ela pegou a maçaneta. Assim que ela soltou minha mão, meus sentidos voltaram para a terra.
"Amanda", eu disse gentilmente, "eu tenho que pegar um paciente. Venha para casa hoje à noite. Nós vamos conversar.
Ela olhou nos meus olhos com um sorriso "venha aqui". Por alguma razão, isso me assustou. Talvez porque sua boca parecia se estender um pouco longe demais em suas bochechas. Ou seu olhos arregalados. Ou talvez porque, nos seis anos em que havíamos sido um casal, Amanda nunca usou a frase “faça amor comigo”. De um jeito ou de outro, meu radar de esquisitice captou alguma coisa, e com mais um “venha para casa hoje à noite” Eu escapei para o elevador.
"Fernando!" Amanda me chamou, eu não me virei.
No segundo andar, encontrei Gabriel conversando com uma mulher coreana que reconheci como a enfermeira-chefe do primeiro andar, a supervisora de Amanda. A enfermeira olhou quando ela me viu.
"Ei você", ela disse rudemente, "você é o marido de Amanda, certo?"
Eu balancei a cabeça, convidando o comentário malicioso.
“Onde esta sua esposa?” Ela perguntou. "O telefone dela está morto, ela não apareceu para o trabalho em uma semana."
"Hum, ela está aqui", eu disse. “Ela está lá embaixo. Acabei de falar com ela.
A enfermeira sacudiu a cabeça. "Bem, eu não a vi o dia todo, e acabei de sair do escritório há cinco minutos. Ela não bate o ponto desde o dia doze.
Eu estava confuso. Eu disse algo para a enfermeira, então desci as escadas para o primeiro andar para encontrar Amanda e provar sua presença. Eu a beijei, senti seus braços em volta de mim. Então, ou ela estava deliberadamente zuando com sua supervisora ou então a supervisora era louca.
Ou eu estava louco.
Ninguém estava na mesa das enfermeiras do primeiro andar. Eu andei pelos corredores, espiando os quartos. Nada da Amanda. Então pensei em alguma coisa. Ela não tinha marcado desde o décimo segundo. O 12 de fevereiro. Isso soa familiar.
Eu chequei meu telefone. A última ligação perdida da Amanda ocorreu no dia 12 de fevereiro. Esse foi o dia em que ela me perseguiu no saguão, acusou-me de chamar seu nome em uma "voz assustadora", exigindo o divórcio.
Eu vi o ícone do correio de voz e lembrei que ela havia me deixado uma mensagem naquele dia. Disquei meu correio de voz, apaguei algumas mensagens e ouvi a voz da minha esposa. Sua voz soluçante, apavorada e aterrorizada.
"Fernando!" Ela respirou. “Fernando, sei que você não está aqui, mas continuo ouvindo sua voz. E eu te vi novamente. Mas não foi você, porque seu rosto estava todo embaçado. Então você… você entrou no armário e desapareceu. Isso é uma piada? Por favor, me diga que isso é um ...
Ela engasgou e ouvi o telefone cair. Então uma voz masculina abafada. Uma voz que soava terrivelmente familiar, dizendo algo como "achei você!"
Então ouvi outra voz. A voz da minha esposa. Chamando meu nome. Mas não estava vindo do meu celular.
“Fernando! Fernando!
Eu segui a voz. Estava vindo da entrada dos fundos, da direção do armário que a Amanda tentou me arrastar. Quando me aproximei, lembrei-me do que me disseram sobre a velha Greta. Ela enlouqueceu e eles a encontraram arranhando na porta de um armário. Teria sido essa porta?
Eu girei a maçaneta, liguei o interruptor de luz.
Eu me vi olhando para uma pequena e empoeirada sala de armazenamento, aparentemente usada como lixeira de caixas de papelão e equipamentos quebrados. O chão estava descascando e teias de aranha pendiam de duas prateleiras baratas de metal. Uma camada grossa de poeira me disse que essa sala raramente era acessada pela equipe de enfermagem.
Eu ouvi de novo.
“Fernando! Fernando!
Eu fiz um 360, então fui atingido com a percepção vertiginosa de que a voz estava vindo de baixo do chão.
Qualquer um com o QI de um macaco poderia dizer que eu deveria ter desistido. Que uma voz incorpórea chamando meu nome, embaixo do chão no primeiro andar de um prédio, não era um fenômeno que eu deveria investigar sozinho. Mas, em algum lugar entre a minha conversa sexy com Amanda e sua mensagem bizarra no meu celular eu parei de pensar logicamente.
Eu olhei em volta. Sem portas, sem escadas, e eu sabia que não havia um botão "porão" nos elevadores. Então eu vi isso. Embaixo de uma das prateleiras - um alçapão. E um pequeno objeto preto. Eu me ajoelhei para olhar.
Um Motorola Razr, com uma capa Hello Kitty e uma pequena rachadura no canto inferior esquerdo da tela. O telefone da Amanda.
Essa descoberta estimulou meu sistema nervoso. Levantei-me, peguei a prateleira e puxei. Com um VOOM alto, a estrutura de metal girou. Eu examinei o alçapão. Estava trancado e preso com uma fechadura enferrujada e empoeirada.
A voz de Amanda - mais alta - flutuou por baixo. “Fernando! Venha me encontrar, Fernando!
Usando meu canivete, abri facilmente o cadeado velho. Então eu levantei.
Eu vi a escuridão. Quando meus olhos se ajustaram, vi escadas. Escadas de madeira úmidas e podres que levam a algum tipo de adega. Eu respirei e fiz vomito. O cheiro de mofo e terra era avassalador. Era o cheiro de um galpão de madeira depois da chuva, misturado com o cheiro de uma pilha de compostagem, misturado com um cheiro que lembrava a família de gambás que havia ficado presa de baixo do trailer de minha mãe em dezembro, morreu e apodreceu até abril.
"Fernando!" Amanda chorou novamente. Desta vez, ela parecia agitada. Assustada.
Eu respirei fundo e depois desci.
Eu continuei cautelosamente - telefone celular em uma mão, canivete agarrado na outra - passo a passo. Pela luz azul pálida da tela da minha cela, vi o chão sujo. Eu peguei uma mancha escura que deve ter sido uma poça, e ouvi um leve gotejar. As paredes eram de cimento cinza com desenhos pretos pintados nelas.
Então, minha luz fraca caiu sobre uma mulher com roupas azuis e longos cabelos negros. Amanda.
"Amanda!" Eu gritei. "Amanda! Que porra você está fazendo ...
“Shhh.” Ela colocou o dedo nos lábios enquanto se aproximava da escuridão.
Então eu estava de pé no chão de terra e ela estava perto. Perto o suficiente para eu ver que as feições dela não estavam certas. Seus olhos eram muito pequenos. Seu nariz era muito plano.
Ela pegou minhas mãos. Seus traços mudaram, borrando para dentro e fora de foco. Foi um efeito da luz que entrava pelo alçapão? Os meus olhos ainda estavam se ajustando? E por que Amanda, de todos os lugares, escolheu ...
E então a boca dela estava na contra a minha sua. Sua língua entrou em minha boca.
Eu não consegui comer por três dias. Eu senti sua língua quente se dissolver na minha boca. Tornando-se fria e morta. Quebrar em pedaços de gelo que tinham gosto de poeira e repolho amarrado e peixe podre, expandindo na minha garganta e me sufocando...
Eu me afastei, tossindo e cuspindo e tentando gritar. Eu deixei cair meu telefone. Enquanto eu secava, ouvi a risada de Amanda. Agora parecia distante. Sem pensar, me levantei.
Meu telefone aterrissou em uma poça, criando um holofote invertido. Um corpo, com uma corda em volta do pescoço, pendia das vigas. Imobilizado pelo terror, fui forçado a aceitar todos os detalhes.
Uniforme de enfermeira. Pés balançando sem vida. Como mãos formando garras, corpo duro por rigor mortis. Cabelo preto comprido. Bochechas roxas, boca aberta, língua inchada pingando saliva escura. Olhos de opala sangrentos que se projetam como um personagem de desenho animado demente, olhando para o esquecimento.
Amanda, morta.
Eu não sei quanto tempo eu olhei para a minha esposa morta pendurada no teto antes de sentir a mão no meu ombro. Sacudido da minha paralisia traumatizada, eu me virei.
Iluminado pela luz do alçapão aberto, minha imagem estava na minha frente.
Enquanto o sósia de Amanda entrava e saía de foco, o meu era explícito, grosseiramente exato em todos os mínimos detalhes. Os pequenos pêlos das minhas bochechas com barba por fazer. A espinha vermelha na minha testa. A cicatriz no canto do meu olho, de quando eu “caí da minha bicicleta” durante uma das agressões do meu segundo padrasto de bêbado. Meu sorriso era malicioso e triunfante. Então disse, com uma voz distorcida.
"Você não vai dizer 'obrigado'?"
E começou a derreter.
Eu não me lembro muito depois disso. Eu ouvi minha própria voz gritando - se era eu ou meu sósia putrefato, eu não quero descobrir. Havia mais vozes, vozes de mulheres, gritos de mulheres. Mãos ásperas em mim, um braço em volta dos meus ombros, me levando para cima ... depois a luz do sol, depois as sirenes.
Amanda estava morta há mais de uma semana. Isso é o que os policiais me disseram, a segunda vez que fui questionado. Os tipos de perguntas que eles estavam perguntando, eu tinha certeza que eles iriam colocar a culpa em mim, especialmente dada a natureza do meu relacionamento com a Amanda. Mas eles não o fizeram.
No final, eles decidiram que foi suicídio. Ela morreu por estrangulamento, embora eles não soubessem como ela conseguiu. Ela deve ter encontrado a corda já pendurada nas vigas - o porão tinha quatorze metros de altura; não havia como ela ter sido capaz de subir e amarrar sozinha. Nem conseguiram encontrar a cadeira ou banquinho que ela havia pulado.
Eles não sabiam como ela havia encontrado o porão. Nenhuma das enfermeiras sabia que a adega de chão sujo existia. Quando a empresa de assistência médica comprou e destruiu o local, eles deixaram a parte de trás do primeiro andar como estava. Nenhuma atenção foi dada ao pequeno e triste armário.
E ninguém poderia explicar como ela tinha entrado no porão em primeiro lugar. Havia apenas uma entrada - o alçapão. O alçapão que eu encontrei, trancado do lado de fora.
Mesmo com o relatório do legista, os policiais tiveram dificuldade em fixar uma linha do tempo. Amanda desapareceu no dia 12, e a enfermeira chefe era inflexível. Insisti em vê-la viva no dia em que seu corpo foi encontrado. Gabriel me apoiou.
Nós não estávamos sozinhos.
Outra enfermeira conversou com Amanda no dia 15; ela se lembrou da data porque era o dia depois do dia de São Valentim. E um paciente alegou que ele não tinha realmente visto Amanda, já que estava escuro e sua visão não era o que costumava ser, mas tinha ouvido a voz dela cantando para ele dormir.
Este era particularmente estranho, porque a noite em que o velho supostamente ouviu Amanda cantar era umas duas semanas depois que ela morreu, e uma semana depois de seu corpo em decomposição ter sido recuperado. Os policiais o escreveram confuso. Mas não tenho tanta certeza.
*****
Eu saí da cidade depois do funeral de Amanda. Meu pai em minha cidade natal, com quem eu não falava há anos, ligou inesperadamente e me convidou para ficar com ele. Quando os flashbacks pararam e as lembranças chegaram ao fim, eu apertei os parafusos soltos na minha cabeça e fui para a escola de paramédicos.
Só me candidatei ao emprego de paramédico do estado porque era ultra competitivo e presumi que não seria aprovado no exame psiquiátrico. Quando meu pacote chegou pelo correio, peguei-o na varanda com as mãos trêmulas. Eu queria dizer não. Mas era o trabalho pelo qual um milhão de pessoas mataria; e meu pai me disse que ele me derrubaria, me jogaria na traseira de sua caminhonete e me deixaria nos degraus da estação se fosse necessário.
*****
Voltei para a cidade onde vivia com Amanda em março deste ano. Eu não conhecia ninguém; Eu perdi contato com todos os meus velhos amigos e Gabriel estava em em outro estado na faculdade de medicina. Meu novo parceiro era um cara legal. Ele me convidou para um churrasco em sua igreja, prometendo que haveria muitas pessoas da nossa idade.
Não havia, mas eu conheci o tio Raul do meu novo parceiro, um policial aposentado. Nós conversamos, e eu soube que ele tinha sido um dos policiais que investigaram a morte de Amanda. Ele foi legal. Eu nunca fui um suspeito, ele me assegurou. Suicídio foi a única conclusão lógica.
"Conclusão lógica", ele disse sarcasticamente. Então, ele me perguntou o que eu sabia sobre fenômenos sobrenaturais.
Eu forcei uma risada. Ele não fez isso.
Ele perguntou se eu tinha visto as paredes de concreto do porão, a sala subterrânea onde Amanda foi encontrada morta. Haviam pequenos desenhos pretos, lembrei-me.
Eles eram rostos, ele me disse.
Enfrenta todas as paredes do porão. Alguns eram reconhecíveis - funcionários da Recanto Rústico, pacientes, visitantes. Alguns eram os rostos das pessoas cujas fotos eram exibidas pelos pacientes. Familiares, amigos mortos, celebridades, até o papa. Havia centenas deles.
E a parte mais estranha era que eles não conseguiam descobrir como os rostos haviam chegado lá. As amostras foram testadas; nenhum traço de tinta ou corante foi encontrado. Nada poderia lavá-los e, nos locais de amostras, os rostos eram redesenhados em poucas horas.
Meu rosto estava lá. O mesmo aconteceu com a Amanda. E em sua terceira viagem, Raul encontrou seu rosto.
Os proprietários da Recanto Rústico decidiram por unanimidade vender a propriedade. Quando ninguém o comprou, eles o abandonaram, enviando seus 168 moradores para outras instalações.
Aparentemente, eles tiveram mais problemas com o lugar nos três anos desde a remodelação do que valeu a pena. Houve nove suicídios nesse período - quatro pacientes, cinco funcionários.
Outras mortes misteriosas também. Sobre o que eu tinha falado - a enfermeira deu uma dose extra de Metoprolol porque o "diretor médico" disse a ela. Em outra ocasião, um fisioterapeuta encontrou um paciente cego, não ambulatorial, trancado no banheiro da equipe, morto, com uma tesoura de saindo do peito.
E então, havia a história do edifício. Anteriormente, havia sido usado o alojamento de sem tetos. Raul havia sido chamado lá muitas vezes quando ele era um policial, e sempre tinha uma vibração estranha do lugar. Outros policiais insistiam que o lugar era assombrado.
Em 2001, o prédio quase queimou. Incêndio culposo. Um menino de 12 anos trancou a mãe no quarto dela, pôs fogo no sofá, depois pulou da janela do quarto andar. Sete pessoas morreram, incluindo um oficial da polícia. Antes desse incidente, o garoto estava agindo de forma bizarra, alegando ter visto o fantasma de seu pai, que havia sido assassinado anos antes.
Raul e eu nos despedimos. Eu dirigi para casa. Pensei em Greta, de cabelo alaranjado e pensei em Herbert. Ela viu seu filho morto, ele viu o homem que ele se arrependeu de ter deixado para trás. E Amanda e eu nos vimos. Versões mais felizes e lúgubres uma da outra - versões ainda apaixonadas.
No dia seguinte, fiz algumas pesquisas sobre sósias. Mensageiros de destruição, incorporações do lado negro, como Jekyll e Hyde. Isso me levou à filosofia da sombra da junguiana. A sombra de si é a manifestação de pensamentos maus, egoístas e enterrados. Os pensamentos que você não tem permissão para pensar, os pensamentos que você nega.
Eu pensei sobre o que meu sósia tinha dito: "você não vai dizer obrigado?"
Seja qual for o demônio ou espírito que vivesse naquele porão - ele coletava rostos. Poderia mudar de forma, tornar-se a imagem cuspida de qualquer forma humana que visse, e conhecia nossos desejos e nossos arrependimentos. Nossos medos. Veio para Greta como seu filho, depois usou o amor de Greta para enlouquecê-la. Ele recriou a imagem que Herbert via em seus pesadelos culposos. Eu queria que Amanda me amasse de novo, mas uma parte de mim queria que ela desaparece para sempre. A entidade me deu ambos.
*****
Eu dirijo por esse prédio, às vezes, o ex-Recanto Rústico. O asfalto está rachado agora e as janelas estão quebradas. Eu me pergunto se as paredes mudaram, se há agora mais rostos - talvez aqueles de transientes ou viciados que, ingenuamente, olham para a estrutura abandonada como abrigo.
Às vezes eu pego algo pelo canto do olho, através de uma janela escura. Às vezes parece um rosto humano olhando para mim. Mas eu nunca deixei meu olhar fixar. Tenho medo de ver o rosto dela, meus erros, reviver sua morte e parte de minha culpa inadvertida.
E temo que eu me veja novamente.
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Paulo Enrique Garcia
quarta-feira, 23 de maio de 2018
Histórias de Terror - Recanto Rústico - Parte 1
Eu nunca gostei do Asilo Recanto Rústico.
Anos atrás, trabalhei para o Serviço de Ambulância MediTrans. Faziamos transportes de pacientes de uma unidade a outra, principalmente pacientes de diálise e altas hospitalares, por isso conheci muitos asilos de baixa qualidade. Mas o Asilo Recanto Rústico conseguia ser ainda pior do que o normal.
O prédio de quatro andares em si transmitia um ar de hostilidade. Perto da sexta avenida onde a maioria dos prédios eram bonitos, o asilo parecia um dente podre no meio, era uma estrutura quadrada, imunda, projetando-se para fora de um estacionamento estreito e irregular cercado por uma cerca de quatro metros.
Lá dentro era exatamente como você esperava. Os moradores eram amontoados quatro pacientes em uma quarto pequeno demais. No verão, metade das unidades de ar condicionado quebrava deixando o lugar húmido e quente. Sua classificação de uma estrela e meia estava em exibição na recepção, e eu tenho certeza que eles só conseguiram a meia estrela extra porque alguém havia subordinado o inspetor. Eu nunca deixaria ninguém que eu amava internado ali.
Nem as enfermeiras conseguiam trabalhar lá por muito tempo. Parecia que toda vez que eu me aproximava da enfermagem, era recebido por uma jovem diferente em roupas manchadas. Enquanto isso, meu parceiro e eu nos encontrávamos com ex-funcionários da Recanto Rústico em todos os lugares que íamos - centros de diálise, hospitais e outros asilos.
Havia rumores de que o Recanto Rústico era assombrado.
Histórias de terror eram contadas ali, sobre de vozes estranhas por trás das portas fechadas. De estranhos vistos vagando pelos corredores, de objetos se movendo sozinhos e de membros da equipe se teletransportando por toda a instalação sem perceber. Ouvi mais de um relato em que o atendente jurou que viram uma enfermeira entrar no quarto de um paciente, não sair e ser encontrada no andar de cima - jurando que não havia ido ao quarto daquele paciente a horas.
Certa vez, um paciente havia sido morto quando uma enfermeira deu a ela uma segunda dose de metoprolol, provocando choque hipovolêmico. A enfermeira culpada jurou que havia falado com o diretor médico, pessoalmente, e que ele havia lhe dado ordens para a dose extra. Isso era obviamente mentira - o diretor médico estava em seu escritório, a quilômetros de distância, com várias testemunhas. Mas a enfermeira insistiu, mesmo depois de ter se declarar culpada para evitar pegar mais tempo de prisão.
Eu duvidava muito que o incidente fosse o trabalho de fantasmas, uma ressaca era provavelmente a culpada. Mas até mesmo os mais céticos das ex-enfermeiras concordaram que sentiam uma sensação ruim trabalhando no Recanto Rústico, especialmente à noite.
*****
No início de 2010, minha esposa, Amanda, me disse que tinha conseguido um emprego no Recanto Rústico. Eu a avisei que todos que trabalhavam lá odiavam o local e ofereci-me para continuar pagando nossas contas até que ela pudesse encontrar outro emprego.
"Você quer que eu diga 'foda-se' para um trabalho de enfermagem em tempo integral com benefícios?" Ela estourou, apertando a boca em um pequeno arco irritado. "Estou farta de trabalhar no Subway. Você honestamente acha que alguém vai me oferecer algo sem experiência?
Ela estava certa. O mercado de trabalho médico saturado era um ponto difícil para uma Enfermeira recém-formada, especialmente no meio de uma recessão.
"Eu entendo", eu disse a ela. "Mas estou ganhando bastante dinheiro agora. E eu não acho que você vai gostar muito do Recanto Rústico. As pessoas dizem que é assombrado e você odeia terror”.
Amanda me deu um sorriso condescendente e franzido. Ela sabia que eu odiava aquele sorriso. Ela era uma mulher pequena, apenas 1,54 metros de altura e talvez 45 quilos. Seus olhos eram em forma de opala e seu rosto quadrado. Ela tinha cabelos longos, escuros e sedosos. Uma mexa caiu sobre um olho.
"Mas você não está ganhando dinheiro suficiente, Fernando", ela disse, como se eu fosse um retardado. “E eu prefiro me encontrar com o Gasparzinho a ter pedir dinheiro ao meu pai. DE NOVO."
Fechei meus olhos e contei até dez. Ela estava me instigando. Os pais dela não gostavam muito de mim, porque eu não tinha diploma universitário e meus pais eram alcoólatras. E o pai dela nos emprestou dinheiro duas vezes no ano passado. Uma vez no mês de janeiro anterior, quando assinamos o contrato da casa e tivemos que desembolsar uma grana alta para alugar nosso micro-apartamento de um quarto, e uma vez em agosto, quando meu carro quebrou.
"Tudo bem, querida", eu disse com os dentes cerrados. "faça o que você quiser."
Com isso, fui tomar banho e me preparar para dormir. Nosso casamento estava condenado a acabar. Nós dois sabíamos disso, mas nenhum de nós teve a coragem de bater aquele último prego no caixão.
Amanda aceitou emprego. Alguns dias depois, durante seu segundo turno de treinamento, meu parceiro Gabriel e eu fomos enviados para Recanto Rústico para buscar um paciente. Um paciente que, claro, morava no primeiro andar - onde Amanda estava trabalhando.
Nosso paciente era um octogenário confinado na cama indo a São Vicente para uma colocação de sonda. Deveria ter sido uma operação rápida e sem dramas, mas as enfermeiras ainda não tinham a papelada feita. Amanda estava sendo uma diota sobre isso - pairando sobre o ombro da enfermeira chefe, sorrindo seu sorriso de lábio apertado enquanto sua nova amiga nos repreendia durante o tempo de espera (como se fosse nossa culpa que eles não tivessem a merda preparada).
Gabriel foi até a ambulância para carregar o celular. Eu cerrava os dentes com tanta força que meu crânio doía, e um meio olhar para o perfil arrogante de Amanda era o suficiente para impulsionar a dor no meu queixo. Por causa do profissionalismo, e da minha sanidade, eu fui embora.
Caminhei até uma área na frente que tinha alguns sofás, e lá encontrei uma velha de cabelos alaranjados, encolhida em um sofá manchado. Uma cânula nasal pendia do rosto, presa a uma bomba de oxigênio no encosto de uma cadeira de rodas bamba. Seus olhos se abriram. Quando ela me viu, seu rosto caiu.
"Como a senhora está se sentindo?" Eu perguntei docemente. "Você precisa de ajuda?"
Ela murmurou alguma coisa, sua voz fraca. Eu me debrucei ao lado dela e pedi a ela para repetir o que ela disse.
"Eu estou esperando pelo Lucas."
Eu olhei em volta. “Lucas é seu enfermeiro? Eu posso encontrá-lo, se você quiser.
Ela balançou a cabeça tristemente. “Ele vem aqui à noite. Ele fala comigo. Eu tenho que ficar aqui ou não vou vê-lo.
Eu respirei e descobri que o saguão tinha um cheiro estranho. Meio podre, mas meio doce, como o fedor que encheu nossa estação quando a geladeira compartilhada foi aberta e tinha uma carniça dentro. A mulher de cabelos alaranjados não parecia incomodada com isso, mas fiquei aliviada ao ver Gabriel com a papelada na mão.
Eu voltei para casa depois da Amanda, ela fingiu estar dormindo. Na manhã seguinte, ela se foi antes de eu trabalhar. Situação perfeita, pensei. Agora nunca precisamos conversar.
******
Algumas semanas depois, minha empresa teria que transladar outro paciente de diálise do Recanto Rústico. Logo, Gabriele eu fomos enviados para pegá-lo. No caminho, avistei a mesma mulher de cabelos cor de laranja, no mesmo sofá manchado, ainda esperando por Lucas.
O novo paciente de diálise, vamos chamá-lo de Herbert, tinha setenta e nove anos e não estava indo bem. Ele estava acamado devido aos efeitos persistentes de um derrame, meio cego e atrofiado. Ele olhou na minha direção quando chamei o nome dele, mas respondeu a todas as perguntas com um murmúrio incompreensível.
Seu quarto, felizmente, ficava no terceiro andar, o que colocou um andar inteiro entre eu e Amanda. Conseguimos colocá-lo na ambulância e, depois de uma série de sinais vitais, aproveitei a viagem de quinze minutos até o hospital para terminar a papelada. Herbert olhava para frente, aparentemente sem perceber minha presença.
Então ele murmurou alguma coisa.
Eu olhei para cima por cima do papel. "O que Herbert?" Eu perguntei em voz alta.
"O homem de uma perna só fala comigo", ele repetiu.
Eu me inclinei. "Quem fala com você, Herbert?"
“O homem oriental. O homem com uma perna. Ele entra no meu quarto à noite. Os olhos leitosos de Herbert estavam desfocados, olhando vagamente em algum ponto entre a estrada e o teto da ambulância.
"O homem oriental?"
"Ele está com raiva de mim", continuou Herbert, falando ao esquecimento. “Ele sabe que eu o deixei. Eu gostaria que ele fosse embora.
Naquela noite, cheguei em casa para todas as luzes do apartamento e Amanda na cozinha, fazendo uma xícara de chá. Isso foi uma surpresa, pois ela adquiriu o hábito de fingir dormir. Nas raras ocasiões em que ela trocou algumas palavras comigo, ela fez isso com um beicinho constipado, como se minha presença fosse fisicamente dolorosa.
"Você ainda está acordada?" Eu perguntei sem pensar. Eu imediatamente percebi a estupidez da pergunta e me preparei para a resposta sarcástica.
Mas a observação desagradável não veio. "Sim", respondeu Amanda com indiferença. "Estou com dor de cabeça."
Ela olhou para mim. Pela primeira vez em algum tempo, eu não vi desprezo nos olhos dela. Eu percebi, de repente, que eu não lembrava mais como agir ao redor de Amanda sem começar uma discussão ou continuar com outra. Então pensei em alguma coisa.
“Amanda,” eu perguntei, “a velha que está sempre na cadeira ao lado da porta, com o cabelo laranja brilhante e o oxigênio. Quem é ela?"
Amanda franziu a testa. “O nome dela é Greta, ela está na minha estação. A mente dela já está muito longe, não vai durar muito.
"Eu falei com ela", eu disse. "Ela disse que estava esperando por Lucas."
"Ah, eu sei." Amanda balançou a cabeça. “Lucas não vai vir. Ele era filho de Greta. Ele morreu de câncer há cinco anos. Ela tem fotos dele por todo o quarto dela.
Esta informação me sacudiu. Lembrei-me do olhar de Greta quando a acordei - pura felicidade, depois desapontamento imediato quando ela percebeu que eu não era, na verdade, seu filho há muito falecido. Pobre pássaro velho. Demência é uma merda.
Eu pensei que aquela noite foi um acaso, no que diz respeito ao relacionamento com Amanda. Amanda, cansada e com dor, não tinha energia para me antagonizar. Mas na noite seguinte, voltei para casa e ela estava acordada, de novo, e decididamente não era a antagonista dos últimos meses.
Certa noite, cheguei em casa e encontrei-a encolhida no sofá, tremendo, o brilho da TV silenciosa iluminando suas lágrimas. Meu primeiro impulso foi fugir - eu havia esquecido há muito tempo como consolar a Amanda. Mas eu não sou uma pessoa impulsiva.
O que veio a seguir foi a primeira conversa honesta que tivemos em meses.
Amanda estava no limite há semanas. O trabalho era o problema; seus turnos no Recanto Rústico se tornaram fisicamente e mentalmente insuportáveis, por razões que ela não podia justificar para si mesma, quanto mais para qualquer outra pessoa.
"Eu só ... assim que eu entro, meu peito aperta e começo a me sentir fraca", disse ela. "Estou com medo de alguma coisa, mas não sei o que é. E sempre que estou sozinha, ouço coisas. Pequenos ruídos atrás de mim. Mas quando eu me viro, não há nada lá.
Reiterei que ela poderia sair, que eu pagaria as contas e que conhecia outras enfermeiras que haviam saído porque o lugar era muito assustador. Mas Amanda sacudiu a cabeça decididamente. Ela pensava se ela saísse depois de trabalhar no Recanto Rústico por apenas um mês, ela pareceria estranho a outros lugares.
No dia seguinte foi o dia de diálise de Herbert, Gabriel e eu fomos enviados para buscá-lo.
A jovem enfermeira de plantão me disse que ele estava tomando banho; nós teríamos que esperar alguns minutos. Eu pensei em encontrar Amanda. Então eu notei algo no quarto de Herbert que eu não havia notado antes. Havia um quadro de avisos na parede paralelo a sua cama e alguém prendeu vários recortes de jornais antigos. Eu olhei mais de perto.
Herbert foi um médico durante a Guerra da Coreia. Um artigo, intitulado “Heroi ferido, bem vindo ao lar”, descreveu seu louvável serviço. Ele encontrou um jovem soldado com uma ferida no peito deitado em uma estrada. De repente, as balas começaram a voar ao redor deles. Ele puxou o soldado em uma vala, costurou-o e esperou com ele até que foram encontrados por um pelotão aliado.
Enquanto Herbert foi saudado como herói, ele se arrependeu do incidente. Ele viu outro homem, um aldeão coreano, deitado no chão com uma ferida na perna. O homem estava se contorcendo, mas fraco demais para se afastar do perigo. Herbert estava em conflito. Mas ele ainda podia ouvir tiros e, seguindo o protocolo, ele ficou parado. Quando a ajuda chegou, ele correu para o homem coreano, mas ele já estava morto.
O artigo incluia fotos tiradas por um soldado no pelotão. Em um deles, você poderia apenas ver a face do coreano morto no fundo. Lembrei-me dos comentários de Herbert sobre o "homem oriental com uma perna". Aquele Herbert não pôde ajudar.
Desde que eu o conhecia, Herbert não parecia bem. Mas fiquei surpreso com o quão severa sua saúde se deteriorou. Seus membros atrofiados tinham se tornado esqueléticos, sua pele era translúcida e ele havia perdido cabelo. Seus olhos nublados nem piscaram quando o levantamos da cama para a maca.
Eu dirigi naquele dia, Gabriel sentou-se na parte de trás com Herbert. Enquanto empurrávamos o velho para dentro, perguntei a Gabriel se ele havia dito algo. Gabriel me deu um olhar estranho; ele não sabia que Herbert podia falar.
Herbert estava completamente indiferente quando o colocamos em sua cadeira de diálise. Ele caiu para um lado; nós o apoiamos com um travesseiro. Enquanto Gabriel perseguia um técnico para uma assinatura, enrolei o aparelho de pressão sanguínea ligado à máquina de diálise ao redor do braço de Herbert.
Antes que eu soubesse o que estava acontecendo, Herbert estava segurando meu bíceps.
Eu pulei. O velho manteve-se firme, seu aperto mais forte do que seus dedos finos deveriam ter permitido. Seus olhos brancos leitosos perfuraram os meus.
"O homem oriental diz que vai me levar com ele."
Eu puxei meu braço fora de seu alcance. Herbert ficou flácido e caiu. Eu chamei o nome dele, mas seu rosto pálido caiu e seus olhos líquidos estavam sem brilho. Quem quer que tenha falado comigo não estava mais alí.
Quarenta e cinco minutos em diálise, Herbert rasgou violentamente os tubos cheios de sangue de seu braço. A equipe tentou parar o sangramento, mas ele lutou contra eles com um nível alarmante de ferocidade. Dizia-se que Herbert nunca esteve tão sereno como quando estava sendo levado pelos paramédicos, já em estado de choque irreversível. Ele morreu antes de chegar ao hospital.
Eu permaneci ignorante como isso estava acontecendo. Gabriele eu fizemos mais algumas ligações. Entrei e saí dos estacionamentos do hospital, pensando no fantasma coreano de Herbert. Mais tarde, por volta das seis, recebi um texto da Amanda.
Isso foi realmente sexy :)
Foi uma coisa estranha de se dizer. Eu assumi que ela quis dizer a nossa conversa na noite anterior, respondi com um único rosto sorridente, e pensei sobre isso a tarde toda. Durante meses, eu queria que Amanda fosse embora. Eu fantasiei em voltar para casa e descobrir que ela se mudou. Mas, quando li esse texto, senti uma pontada de êxtase que eu sentia quando tínhamos dezoito anos e estávamos obcecados um pelo outro.
Assim que entrei em nosso apartamento, Amanda pulou em mim. Sem palavras, apaixonadamente, fizemos amor no sofá. Seu perfume, seu batom vermelho, seu cabelo fazendo cócegas em minha pele era inebriante. Foi instintivo e selvagem. Quando terminamos, nós deitamos no sofá, mechas do cabelo dela ainda na minha boca.
"Isso foi incrível", eu murmurei para ela. "Estou muito feliz por termos feito isso."
"Você começou," ela brincou, passando a mão no meu peito. “Aquele beijo muito gostoso. A enfermeira encarregada ficou com raiva, mas valeu a pena.
"O que a enfermeira responsável tem a ver com qualquer coisa?" Eu perguntei inocentemente.
Amanda se afastou. Ela se sentou. “Quando você veio me ver em Recanto Rústico. Você me agarrou forte e me beijou, em na frente das outras enfermeiras. Elas ficaram morrendo de inveja.
Eu fiquei com frio. "Amanda", eu disse, "eu não fiz isso. Eu estava no Recanto Rústico pela manhã, para pegar o Herbert, mas eu não vi você. Eu não te beijei.
Ela forçou uma risada. “Para de brincar. A menos que você tenha um gêmeo que eu não saiba, você me beijou hoje. Todas as outras enfermeiras viram.
"Eu não sei o que te dizer", eu disse. “Eu estava no terceiro andar por uns quinze minutos e depois na ambulância o resto do dia.”
Amanda olhou com raiva. Empurrando-me para fora do caminho, ela pegou suas roupas e se levantou.
“Vai a merda Fernando. Você é um mentiroso maldito.
Com isso, ela pisou no nosso quarto e bateu a porta. De manhã, ela se foi antes de eu acordar.
A coisa toda me incomodou. Aparentemente, Amanda tinha sido beijada apaixonadamente na frente de suas colegas de trabalho por um cara que se parecia comigo. Eu suspeitava que ela tinha um transtorno bipolar não diagnosticado, mas eu poderia estar errado. Talvez esquizofrenia não diagnosticada.
Dois dias depois, Gabriel e eu fomos enviados para pegar outro paciente. Esperei com a maca no saguão da frente. Greta de cabelos laranja estava encolhida no sofá, presumivelmente ainda esperando por Lucas. Pobre senhora. Eu tentei chamar sua atenção, mas ela estava alheia à minha presença. Então eu vi lágrimas correndo por rosto.
Eu teria ido falar com ela se uma mão não tivesse puxado meu braço. Eu me virei e dei de cara com a Amanda. Seus olhos estavam inchados e vermelhos. Ela estava chateada.
"Aí está você", ela retrucou. “Que isso, Fernando? Você está brincando comigo agora?
"Amanda, do que você está falando?"
"Eu ouvi você chamando meu nome", disse ela, incapaz de controlar o tremor em sua voz. “No final do corredor. Naquela maldita voz assustadora. Onde você estava se escondendo? Debaixo de uma cama ou algo assim?
"Amanda, eu não fiz isso. Eu estive aqui."
“Era a sua voz!”, Insistiu Amanda. "Dizendo: 'Amanda, venha até mim'. Eu estava distribuindo remédios e ouvi você. Estou farta das suas piadas! ”
"Amanda, eu estav..." eu comecei.
“Foda-se, Fernando. Eu quero o divórcio.
Com isso, ela voltou para o posto de enfermagem. Eu não fui atrás dela. Eu fiquei lá, inútil, fumegando. Toda a raiva e ressentimento que eu estava amamentando há meses; a frustração de nunca, nunca ser bom o suficiente para Amanda rodar em torno de mim como um tornado. Eu a queria morta. Eu queria envolver meus dedos em volta do seu pescoço e encarar seus olhos salientes até que eles ficassem sem vida.
Se Gabriel não tivesse vindo me dizer que tivemos outra ligação, não tenho certeza o que teria feito. Enquanto voltávamos para a estação, vi que eu havia perdido duas ligações da Amanda e que ela me deixou uma mensagem de voz. Eu ignorei. Até mesmo pensar nela elevou minha pressão sanguínea.
Amanda não voltou para casa naquela noite e fiquei aliviado.
*****
Na manhã seguinte, fiquei desanimado ao ver o endereço de Recanto Rústico passar pelo nosso pager. Nós estávamos pegando uma paciente psiquiátrico. Uma senhora com demência, indo para a enfermaria psiquiátrica em um hospício.
O nome do paciente: Greta. A senhora de cabelo alaranjado do saguão, sempre à espera do Lucas.
"Começou um pouco depois da meia-noite", a enfermeira me disse. “De repente, ela estava gritando e chorando. Eu nunca ouvi nada como isso. Um gemido angustiante e sobrenatural.
"Ela teve alguma mudança nos medicamentos recentemente?", Perguntei.
A enfermeira sacudiu a cabeça. “Seu filho, Lucas, morreu há cinco anos. Ele era muito dedicada a ela, e ela estava dizendo a algumas das enfermeiras que ele vem e a vê à noite. ”
Eu assenti simpaticamente.
“De qualquer forma,” a enfermeira continuou, “ontem à noite, ela continuou gritando o nome de Lucas mais e mais. Nós a colocamos na cama e lhe demos uma pílula para dormir, mas não durou muito. Ela acordou em torno de três, arrastou-se para fora da cama e para corredor. Nós a encontramos arranhando a porta de um armário de armazenamento.
Eles tinham Greta contida na cama - desnecessariamente, pensei, pois qualquer sedativo que eles tivessem lhe dado a reduzira a um estado quase comatoso. Nós a movemos para a maca sem problema. Mas no fundo da ambulância, ela se contorceu e abriu os olhos. Ela lançou um olhar mórbido em minha direção.
"Então, Greta", eu disse gentilmente, esperando que minha voz a mantivesse quieta, "Como você está hoje? As enfermeiras estão te tratando bem?
"Lucas veio até mim", disse ela sem emoção.
As palavras me atingiram como um soco. "Não vamos falar sobre Lucas, certo?"
"Ele estava queimando", Greta continuou, como se ela não tivesse me ouvido. “Seu rosto estava derretendo. Ele estava gritando de dor.
Lágrimas brotaram nos olhos dela. "Então ... então não era mais Lucas. Foi esse .. esse monstro. Este demônio e ele me disse que era assim que Lucas estava... no inferno.
Ela soluçou. Talvez eu disse algo reconfortante; se eu disse não teve efeito. Não me lembro. Até aquele momento, eu nunca havia sentido tão perturbado em toda a minha vida.
Greta não falou de novo. Ela apenas chorou, lágrimas se acumulando em suas rugas. Ela chorou até o hospício e continuou chorando enquanto esperávamos até que seu quarto estivesse pronto. Nós a ouvimos gemer quando puxamos nossa maca pelo corredor do sexto andar, até que as portas do elevador se fecharam.
Clique no link para ler a parte 2: Histórias de Terror - Recanto Rústico - Parte 2
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O Porta-Jóias
Terror no Hotel
Anos atrás, trabalhei para o Serviço de Ambulância MediTrans. Faziamos transportes de pacientes de uma unidade a outra, principalmente pacientes de diálise e altas hospitalares, por isso conheci muitos asilos de baixa qualidade. Mas o Asilo Recanto Rústico conseguia ser ainda pior do que o normal.
O prédio de quatro andares em si transmitia um ar de hostilidade. Perto da sexta avenida onde a maioria dos prédios eram bonitos, o asilo parecia um dente podre no meio, era uma estrutura quadrada, imunda, projetando-se para fora de um estacionamento estreito e irregular cercado por uma cerca de quatro metros.
Lá dentro era exatamente como você esperava. Os moradores eram amontoados quatro pacientes em uma quarto pequeno demais. No verão, metade das unidades de ar condicionado quebrava deixando o lugar húmido e quente. Sua classificação de uma estrela e meia estava em exibição na recepção, e eu tenho certeza que eles só conseguiram a meia estrela extra porque alguém havia subordinado o inspetor. Eu nunca deixaria ninguém que eu amava internado ali.
Nem as enfermeiras conseguiam trabalhar lá por muito tempo. Parecia que toda vez que eu me aproximava da enfermagem, era recebido por uma jovem diferente em roupas manchadas. Enquanto isso, meu parceiro e eu nos encontrávamos com ex-funcionários da Recanto Rústico em todos os lugares que íamos - centros de diálise, hospitais e outros asilos.
Havia rumores de que o Recanto Rústico era assombrado.
Histórias de terror eram contadas ali, sobre de vozes estranhas por trás das portas fechadas. De estranhos vistos vagando pelos corredores, de objetos se movendo sozinhos e de membros da equipe se teletransportando por toda a instalação sem perceber. Ouvi mais de um relato em que o atendente jurou que viram uma enfermeira entrar no quarto de um paciente, não sair e ser encontrada no andar de cima - jurando que não havia ido ao quarto daquele paciente a horas.
Certa vez, um paciente havia sido morto quando uma enfermeira deu a ela uma segunda dose de metoprolol, provocando choque hipovolêmico. A enfermeira culpada jurou que havia falado com o diretor médico, pessoalmente, e que ele havia lhe dado ordens para a dose extra. Isso era obviamente mentira - o diretor médico estava em seu escritório, a quilômetros de distância, com várias testemunhas. Mas a enfermeira insistiu, mesmo depois de ter se declarar culpada para evitar pegar mais tempo de prisão.
Eu duvidava muito que o incidente fosse o trabalho de fantasmas, uma ressaca era provavelmente a culpada. Mas até mesmo os mais céticos das ex-enfermeiras concordaram que sentiam uma sensação ruim trabalhando no Recanto Rústico, especialmente à noite.
*****
No início de 2010, minha esposa, Amanda, me disse que tinha conseguido um emprego no Recanto Rústico. Eu a avisei que todos que trabalhavam lá odiavam o local e ofereci-me para continuar pagando nossas contas até que ela pudesse encontrar outro emprego.
"Você quer que eu diga 'foda-se' para um trabalho de enfermagem em tempo integral com benefícios?" Ela estourou, apertando a boca em um pequeno arco irritado. "Estou farta de trabalhar no Subway. Você honestamente acha que alguém vai me oferecer algo sem experiência?
Ela estava certa. O mercado de trabalho médico saturado era um ponto difícil para uma Enfermeira recém-formada, especialmente no meio de uma recessão.
"Eu entendo", eu disse a ela. "Mas estou ganhando bastante dinheiro agora. E eu não acho que você vai gostar muito do Recanto Rústico. As pessoas dizem que é assombrado e você odeia terror”.
Amanda me deu um sorriso condescendente e franzido. Ela sabia que eu odiava aquele sorriso. Ela era uma mulher pequena, apenas 1,54 metros de altura e talvez 45 quilos. Seus olhos eram em forma de opala e seu rosto quadrado. Ela tinha cabelos longos, escuros e sedosos. Uma mexa caiu sobre um olho.
"Mas você não está ganhando dinheiro suficiente, Fernando", ela disse, como se eu fosse um retardado. “E eu prefiro me encontrar com o Gasparzinho a ter pedir dinheiro ao meu pai. DE NOVO."
Fechei meus olhos e contei até dez. Ela estava me instigando. Os pais dela não gostavam muito de mim, porque eu não tinha diploma universitário e meus pais eram alcoólatras. E o pai dela nos emprestou dinheiro duas vezes no ano passado. Uma vez no mês de janeiro anterior, quando assinamos o contrato da casa e tivemos que desembolsar uma grana alta para alugar nosso micro-apartamento de um quarto, e uma vez em agosto, quando meu carro quebrou.
"Tudo bem, querida", eu disse com os dentes cerrados. "faça o que você quiser."
Com isso, fui tomar banho e me preparar para dormir. Nosso casamento estava condenado a acabar. Nós dois sabíamos disso, mas nenhum de nós teve a coragem de bater aquele último prego no caixão.
Amanda aceitou emprego. Alguns dias depois, durante seu segundo turno de treinamento, meu parceiro Gabriel e eu fomos enviados para Recanto Rústico para buscar um paciente. Um paciente que, claro, morava no primeiro andar - onde Amanda estava trabalhando.
Nosso paciente era um octogenário confinado na cama indo a São Vicente para uma colocação de sonda. Deveria ter sido uma operação rápida e sem dramas, mas as enfermeiras ainda não tinham a papelada feita. Amanda estava sendo uma diota sobre isso - pairando sobre o ombro da enfermeira chefe, sorrindo seu sorriso de lábio apertado enquanto sua nova amiga nos repreendia durante o tempo de espera (como se fosse nossa culpa que eles não tivessem a merda preparada).
Gabriel foi até a ambulância para carregar o celular. Eu cerrava os dentes com tanta força que meu crânio doía, e um meio olhar para o perfil arrogante de Amanda era o suficiente para impulsionar a dor no meu queixo. Por causa do profissionalismo, e da minha sanidade, eu fui embora.
Caminhei até uma área na frente que tinha alguns sofás, e lá encontrei uma velha de cabelos alaranjados, encolhida em um sofá manchado. Uma cânula nasal pendia do rosto, presa a uma bomba de oxigênio no encosto de uma cadeira de rodas bamba. Seus olhos se abriram. Quando ela me viu, seu rosto caiu.
"Como a senhora está se sentindo?" Eu perguntei docemente. "Você precisa de ajuda?"
Ela murmurou alguma coisa, sua voz fraca. Eu me debrucei ao lado dela e pedi a ela para repetir o que ela disse.
"Eu estou esperando pelo Lucas."
Eu olhei em volta. “Lucas é seu enfermeiro? Eu posso encontrá-lo, se você quiser.
Ela balançou a cabeça tristemente. “Ele vem aqui à noite. Ele fala comigo. Eu tenho que ficar aqui ou não vou vê-lo.
Eu respirei e descobri que o saguão tinha um cheiro estranho. Meio podre, mas meio doce, como o fedor que encheu nossa estação quando a geladeira compartilhada foi aberta e tinha uma carniça dentro. A mulher de cabelos alaranjados não parecia incomodada com isso, mas fiquei aliviada ao ver Gabriel com a papelada na mão.
Eu voltei para casa depois da Amanda, ela fingiu estar dormindo. Na manhã seguinte, ela se foi antes de eu trabalhar. Situação perfeita, pensei. Agora nunca precisamos conversar.
******
Algumas semanas depois, minha empresa teria que transladar outro paciente de diálise do Recanto Rústico. Logo, Gabriele eu fomos enviados para pegá-lo. No caminho, avistei a mesma mulher de cabelos cor de laranja, no mesmo sofá manchado, ainda esperando por Lucas.
O novo paciente de diálise, vamos chamá-lo de Herbert, tinha setenta e nove anos e não estava indo bem. Ele estava acamado devido aos efeitos persistentes de um derrame, meio cego e atrofiado. Ele olhou na minha direção quando chamei o nome dele, mas respondeu a todas as perguntas com um murmúrio incompreensível.
Seu quarto, felizmente, ficava no terceiro andar, o que colocou um andar inteiro entre eu e Amanda. Conseguimos colocá-lo na ambulância e, depois de uma série de sinais vitais, aproveitei a viagem de quinze minutos até o hospital para terminar a papelada. Herbert olhava para frente, aparentemente sem perceber minha presença.
Então ele murmurou alguma coisa.
Eu olhei para cima por cima do papel. "O que Herbert?" Eu perguntei em voz alta.
"O homem de uma perna só fala comigo", ele repetiu.
Eu me inclinei. "Quem fala com você, Herbert?"
“O homem oriental. O homem com uma perna. Ele entra no meu quarto à noite. Os olhos leitosos de Herbert estavam desfocados, olhando vagamente em algum ponto entre a estrada e o teto da ambulância.
"O homem oriental?"
"Ele está com raiva de mim", continuou Herbert, falando ao esquecimento. “Ele sabe que eu o deixei. Eu gostaria que ele fosse embora.
Naquela noite, cheguei em casa para todas as luzes do apartamento e Amanda na cozinha, fazendo uma xícara de chá. Isso foi uma surpresa, pois ela adquiriu o hábito de fingir dormir. Nas raras ocasiões em que ela trocou algumas palavras comigo, ela fez isso com um beicinho constipado, como se minha presença fosse fisicamente dolorosa.
"Você ainda está acordada?" Eu perguntei sem pensar. Eu imediatamente percebi a estupidez da pergunta e me preparei para a resposta sarcástica.
Mas a observação desagradável não veio. "Sim", respondeu Amanda com indiferença. "Estou com dor de cabeça."
Ela olhou para mim. Pela primeira vez em algum tempo, eu não vi desprezo nos olhos dela. Eu percebi, de repente, que eu não lembrava mais como agir ao redor de Amanda sem começar uma discussão ou continuar com outra. Então pensei em alguma coisa.
“Amanda,” eu perguntei, “a velha que está sempre na cadeira ao lado da porta, com o cabelo laranja brilhante e o oxigênio. Quem é ela?"
Amanda franziu a testa. “O nome dela é Greta, ela está na minha estação. A mente dela já está muito longe, não vai durar muito.
"Eu falei com ela", eu disse. "Ela disse que estava esperando por Lucas."
"Ah, eu sei." Amanda balançou a cabeça. “Lucas não vai vir. Ele era filho de Greta. Ele morreu de câncer há cinco anos. Ela tem fotos dele por todo o quarto dela.
Esta informação me sacudiu. Lembrei-me do olhar de Greta quando a acordei - pura felicidade, depois desapontamento imediato quando ela percebeu que eu não era, na verdade, seu filho há muito falecido. Pobre pássaro velho. Demência é uma merda.
Eu pensei que aquela noite foi um acaso, no que diz respeito ao relacionamento com Amanda. Amanda, cansada e com dor, não tinha energia para me antagonizar. Mas na noite seguinte, voltei para casa e ela estava acordada, de novo, e decididamente não era a antagonista dos últimos meses.
Certa noite, cheguei em casa e encontrei-a encolhida no sofá, tremendo, o brilho da TV silenciosa iluminando suas lágrimas. Meu primeiro impulso foi fugir - eu havia esquecido há muito tempo como consolar a Amanda. Mas eu não sou uma pessoa impulsiva.
O que veio a seguir foi a primeira conversa honesta que tivemos em meses.
Amanda estava no limite há semanas. O trabalho era o problema; seus turnos no Recanto Rústico se tornaram fisicamente e mentalmente insuportáveis, por razões que ela não podia justificar para si mesma, quanto mais para qualquer outra pessoa.
"Eu só ... assim que eu entro, meu peito aperta e começo a me sentir fraca", disse ela. "Estou com medo de alguma coisa, mas não sei o que é. E sempre que estou sozinha, ouço coisas. Pequenos ruídos atrás de mim. Mas quando eu me viro, não há nada lá.
Reiterei que ela poderia sair, que eu pagaria as contas e que conhecia outras enfermeiras que haviam saído porque o lugar era muito assustador. Mas Amanda sacudiu a cabeça decididamente. Ela pensava se ela saísse depois de trabalhar no Recanto Rústico por apenas um mês, ela pareceria estranho a outros lugares.
No dia seguinte foi o dia de diálise de Herbert, Gabriel e eu fomos enviados para buscá-lo.
A jovem enfermeira de plantão me disse que ele estava tomando banho; nós teríamos que esperar alguns minutos. Eu pensei em encontrar Amanda. Então eu notei algo no quarto de Herbert que eu não havia notado antes. Havia um quadro de avisos na parede paralelo a sua cama e alguém prendeu vários recortes de jornais antigos. Eu olhei mais de perto.
Herbert foi um médico durante a Guerra da Coreia. Um artigo, intitulado “Heroi ferido, bem vindo ao lar”, descreveu seu louvável serviço. Ele encontrou um jovem soldado com uma ferida no peito deitado em uma estrada. De repente, as balas começaram a voar ao redor deles. Ele puxou o soldado em uma vala, costurou-o e esperou com ele até que foram encontrados por um pelotão aliado.
Enquanto Herbert foi saudado como herói, ele se arrependeu do incidente. Ele viu outro homem, um aldeão coreano, deitado no chão com uma ferida na perna. O homem estava se contorcendo, mas fraco demais para se afastar do perigo. Herbert estava em conflito. Mas ele ainda podia ouvir tiros e, seguindo o protocolo, ele ficou parado. Quando a ajuda chegou, ele correu para o homem coreano, mas ele já estava morto.
O artigo incluia fotos tiradas por um soldado no pelotão. Em um deles, você poderia apenas ver a face do coreano morto no fundo. Lembrei-me dos comentários de Herbert sobre o "homem oriental com uma perna". Aquele Herbert não pôde ajudar.
Desde que eu o conhecia, Herbert não parecia bem. Mas fiquei surpreso com o quão severa sua saúde se deteriorou. Seus membros atrofiados tinham se tornado esqueléticos, sua pele era translúcida e ele havia perdido cabelo. Seus olhos nublados nem piscaram quando o levantamos da cama para a maca.
Eu dirigi naquele dia, Gabriel sentou-se na parte de trás com Herbert. Enquanto empurrávamos o velho para dentro, perguntei a Gabriel se ele havia dito algo. Gabriel me deu um olhar estranho; ele não sabia que Herbert podia falar.
Herbert estava completamente indiferente quando o colocamos em sua cadeira de diálise. Ele caiu para um lado; nós o apoiamos com um travesseiro. Enquanto Gabriel perseguia um técnico para uma assinatura, enrolei o aparelho de pressão sanguínea ligado à máquina de diálise ao redor do braço de Herbert.
Antes que eu soubesse o que estava acontecendo, Herbert estava segurando meu bíceps.
Eu pulei. O velho manteve-se firme, seu aperto mais forte do que seus dedos finos deveriam ter permitido. Seus olhos brancos leitosos perfuraram os meus.
"O homem oriental diz que vai me levar com ele."
Eu puxei meu braço fora de seu alcance. Herbert ficou flácido e caiu. Eu chamei o nome dele, mas seu rosto pálido caiu e seus olhos líquidos estavam sem brilho. Quem quer que tenha falado comigo não estava mais alí.
Quarenta e cinco minutos em diálise, Herbert rasgou violentamente os tubos cheios de sangue de seu braço. A equipe tentou parar o sangramento, mas ele lutou contra eles com um nível alarmante de ferocidade. Dizia-se que Herbert nunca esteve tão sereno como quando estava sendo levado pelos paramédicos, já em estado de choque irreversível. Ele morreu antes de chegar ao hospital.
Eu permaneci ignorante como isso estava acontecendo. Gabriele eu fizemos mais algumas ligações. Entrei e saí dos estacionamentos do hospital, pensando no fantasma coreano de Herbert. Mais tarde, por volta das seis, recebi um texto da Amanda.
Isso foi realmente sexy :)
Foi uma coisa estranha de se dizer. Eu assumi que ela quis dizer a nossa conversa na noite anterior, respondi com um único rosto sorridente, e pensei sobre isso a tarde toda. Durante meses, eu queria que Amanda fosse embora. Eu fantasiei em voltar para casa e descobrir que ela se mudou. Mas, quando li esse texto, senti uma pontada de êxtase que eu sentia quando tínhamos dezoito anos e estávamos obcecados um pelo outro.
Assim que entrei em nosso apartamento, Amanda pulou em mim. Sem palavras, apaixonadamente, fizemos amor no sofá. Seu perfume, seu batom vermelho, seu cabelo fazendo cócegas em minha pele era inebriante. Foi instintivo e selvagem. Quando terminamos, nós deitamos no sofá, mechas do cabelo dela ainda na minha boca.
"Isso foi incrível", eu murmurei para ela. "Estou muito feliz por termos feito isso."
"Você começou," ela brincou, passando a mão no meu peito. “Aquele beijo muito gostoso. A enfermeira encarregada ficou com raiva, mas valeu a pena.
"O que a enfermeira responsável tem a ver com qualquer coisa?" Eu perguntei inocentemente.
Amanda se afastou. Ela se sentou. “Quando você veio me ver em Recanto Rústico. Você me agarrou forte e me beijou, em na frente das outras enfermeiras. Elas ficaram morrendo de inveja.
Eu fiquei com frio. "Amanda", eu disse, "eu não fiz isso. Eu estava no Recanto Rústico pela manhã, para pegar o Herbert, mas eu não vi você. Eu não te beijei.
Ela forçou uma risada. “Para de brincar. A menos que você tenha um gêmeo que eu não saiba, você me beijou hoje. Todas as outras enfermeiras viram.
"Eu não sei o que te dizer", eu disse. “Eu estava no terceiro andar por uns quinze minutos e depois na ambulância o resto do dia.”
Amanda olhou com raiva. Empurrando-me para fora do caminho, ela pegou suas roupas e se levantou.
“Vai a merda Fernando. Você é um mentiroso maldito.
Com isso, ela pisou no nosso quarto e bateu a porta. De manhã, ela se foi antes de eu acordar.
A coisa toda me incomodou. Aparentemente, Amanda tinha sido beijada apaixonadamente na frente de suas colegas de trabalho por um cara que se parecia comigo. Eu suspeitava que ela tinha um transtorno bipolar não diagnosticado, mas eu poderia estar errado. Talvez esquizofrenia não diagnosticada.
Dois dias depois, Gabriel e eu fomos enviados para pegar outro paciente. Esperei com a maca no saguão da frente. Greta de cabelos laranja estava encolhida no sofá, presumivelmente ainda esperando por Lucas. Pobre senhora. Eu tentei chamar sua atenção, mas ela estava alheia à minha presença. Então eu vi lágrimas correndo por rosto.
Eu teria ido falar com ela se uma mão não tivesse puxado meu braço. Eu me virei e dei de cara com a Amanda. Seus olhos estavam inchados e vermelhos. Ela estava chateada.
"Aí está você", ela retrucou. “Que isso, Fernando? Você está brincando comigo agora?
"Amanda, do que você está falando?"
"Eu ouvi você chamando meu nome", disse ela, incapaz de controlar o tremor em sua voz. “No final do corredor. Naquela maldita voz assustadora. Onde você estava se escondendo? Debaixo de uma cama ou algo assim?
"Amanda, eu não fiz isso. Eu estive aqui."
“Era a sua voz!”, Insistiu Amanda. "Dizendo: 'Amanda, venha até mim'. Eu estava distribuindo remédios e ouvi você. Estou farta das suas piadas! ”
"Amanda, eu estav..." eu comecei.
“Foda-se, Fernando. Eu quero o divórcio.
Com isso, ela voltou para o posto de enfermagem. Eu não fui atrás dela. Eu fiquei lá, inútil, fumegando. Toda a raiva e ressentimento que eu estava amamentando há meses; a frustração de nunca, nunca ser bom o suficiente para Amanda rodar em torno de mim como um tornado. Eu a queria morta. Eu queria envolver meus dedos em volta do seu pescoço e encarar seus olhos salientes até que eles ficassem sem vida.
Se Gabriel não tivesse vindo me dizer que tivemos outra ligação, não tenho certeza o que teria feito. Enquanto voltávamos para a estação, vi que eu havia perdido duas ligações da Amanda e que ela me deixou uma mensagem de voz. Eu ignorei. Até mesmo pensar nela elevou minha pressão sanguínea.
Amanda não voltou para casa naquela noite e fiquei aliviado.
*****
Na manhã seguinte, fiquei desanimado ao ver o endereço de Recanto Rústico passar pelo nosso pager. Nós estávamos pegando uma paciente psiquiátrico. Uma senhora com demência, indo para a enfermaria psiquiátrica em um hospício.
O nome do paciente: Greta. A senhora de cabelo alaranjado do saguão, sempre à espera do Lucas.
"Começou um pouco depois da meia-noite", a enfermeira me disse. “De repente, ela estava gritando e chorando. Eu nunca ouvi nada como isso. Um gemido angustiante e sobrenatural.
"Ela teve alguma mudança nos medicamentos recentemente?", Perguntei.
A enfermeira sacudiu a cabeça. “Seu filho, Lucas, morreu há cinco anos. Ele era muito dedicada a ela, e ela estava dizendo a algumas das enfermeiras que ele vem e a vê à noite. ”
Eu assenti simpaticamente.
“De qualquer forma,” a enfermeira continuou, “ontem à noite, ela continuou gritando o nome de Lucas mais e mais. Nós a colocamos na cama e lhe demos uma pílula para dormir, mas não durou muito. Ela acordou em torno de três, arrastou-se para fora da cama e para corredor. Nós a encontramos arranhando a porta de um armário de armazenamento.
Eles tinham Greta contida na cama - desnecessariamente, pensei, pois qualquer sedativo que eles tivessem lhe dado a reduzira a um estado quase comatoso. Nós a movemos para a maca sem problema. Mas no fundo da ambulância, ela se contorceu e abriu os olhos. Ela lançou um olhar mórbido em minha direção.
"Então, Greta", eu disse gentilmente, esperando que minha voz a mantivesse quieta, "Como você está hoje? As enfermeiras estão te tratando bem?
"Lucas veio até mim", disse ela sem emoção.
As palavras me atingiram como um soco. "Não vamos falar sobre Lucas, certo?"
"Ele estava queimando", Greta continuou, como se ela não tivesse me ouvido. “Seu rosto estava derretendo. Ele estava gritando de dor.
Lágrimas brotaram nos olhos dela. "Então ... então não era mais Lucas. Foi esse .. esse monstro. Este demônio e ele me disse que era assim que Lucas estava... no inferno.
Ela soluçou. Talvez eu disse algo reconfortante; se eu disse não teve efeito. Não me lembro. Até aquele momento, eu nunca havia sentido tão perturbado em toda a minha vida.
Greta não falou de novo. Ela apenas chorou, lágrimas se acumulando em suas rugas. Ela chorou até o hospício e continuou chorando enquanto esperávamos até que seu quarto estivesse pronto. Nós a ouvimos gemer quando puxamos nossa maca pelo corredor do sexto andar, até que as portas do elevador se fecharam.
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Terror no Hotel
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Paulo Enrique Garcia
quarta-feira, 11 de abril de 2018
Conto de um metrô de Nova York
Escrita Por: Collin Thompson
Traduzida por: Paulo Enrique Garcia
Uma garota chamada Laura estava voltando do trabalho tarde da noite em Nova York. Ela estava um pouco nervosa por pegar o metrô tão tarde da noite, mas ela imaginou que provavelmente não haveria muitas pessoas andando de metrô naquela hora, então ela decidiu economizar o dinheiro do táxi e pegar o metrô de qualquer maneira.
Quando chegou lá, ficou surpresa ao ver que na verdade haviam três pessoas sentadas ali: dois homens grandes e de terno, com óculos escuros e uma menininha entre eles. Laura ficou surpresa ao ver uma garota tão jovem no metrô a essa hora da noite, mas com base em como ela estava vestida e seus óculos escuros de grife, Laura imaginou que os homens de terno eram guarda-costas da filha de alguém rico. Ela se sentou em frente ao trio; se alguém mais lhe desse problema, tinha certeza de que esses homens fortes a ajudariam.
Na próxima parada, um homem de vinte e poucos anos entrou no metrô na outra ponta do vagão de Laura. Ele estava claramente muito, muito cansado e bastante desleixado. Sua camisa estava enrugada e definitivamente não estava limpa e ele tinha o que parecia ser um dia de barba por fazer. O homem era exatamente o tipo de indivíduo que Laura esperava evitar em sua volta para casa, mas a figura certamente não era páreo para os homens sentados à sua frente.
Enquanto o metrô prosseguia, Laura notou algo estranho. O homem do outro lado do carro olhou para Laura, depois para os homens, depois para a garota e de volta para Laura. Ele fez isso várias vezes antes da próxima parada, quando se levantou e sentou-se algumas cadeiras mais perto de Laura, dos homens e da menininha. Compreensivelmente nervosa neste momento, ela ainda estava confiante de que os homens de terno poderiam lutar contra a o rapaz.
No entanto, os homens não se mexeram, mesmo quando o homem de aparência desarrumada repetiu o processo de olhar para os outros passageiros antes de mover-se alguns assentos mais perto. Depois de várias paradas, ele estava sentado quase ao lado de Laura e, no entanto, ela era a única que parecia incomodada, os homens de terno e a criança permaneciam sem reação.
O coração de Laura bateu quando ela contou mais duas paradas até o apartamento dela. Quão longe os seguranças deixariam o rapaz avançar? Com medo, Laura percebeu que o metrô estava diminuindo à medida que se aproximava da próxima estação. No instante em que as portas se abriram, o estranho agarrou-a pela cintura e carregou Laura, gritando, para fora do metrô. O rapaz a colocou por cima do ombro e correu o mais rápido que pôde, visões de ser roubada, estuprada e assassinada estavam passando por mente. Eventualmente, o homem a colocou no chão. Ele estava ofegante. Ele rapidamente exclamou:
"Senhora, preciso que você se acalme. Meu nome é John, sou estudante da Escola médica de Columbia, trabalho com cadáveres o dia inteiro e te garanto que aquela garotinha não estava viva.”
Quando chegou lá, ficou surpresa ao ver que na verdade haviam três pessoas sentadas ali: dois homens grandes e de terno, com óculos escuros e uma menininha entre eles. Laura ficou surpresa ao ver uma garota tão jovem no metrô a essa hora da noite, mas com base em como ela estava vestida e seus óculos escuros de grife, Laura imaginou que os homens de terno eram guarda-costas da filha de alguém rico. Ela se sentou em frente ao trio; se alguém mais lhe desse problema, tinha certeza de que esses homens fortes a ajudariam.
Na próxima parada, um homem de vinte e poucos anos entrou no metrô na outra ponta do vagão de Laura. Ele estava claramente muito, muito cansado e bastante desleixado. Sua camisa estava enrugada e definitivamente não estava limpa e ele tinha o que parecia ser um dia de barba por fazer. O homem era exatamente o tipo de indivíduo que Laura esperava evitar em sua volta para casa, mas a figura certamente não era páreo para os homens sentados à sua frente.
Enquanto o metrô prosseguia, Laura notou algo estranho. O homem do outro lado do carro olhou para Laura, depois para os homens, depois para a garota e de volta para Laura. Ele fez isso várias vezes antes da próxima parada, quando se levantou e sentou-se algumas cadeiras mais perto de Laura, dos homens e da menininha. Compreensivelmente nervosa neste momento, ela ainda estava confiante de que os homens de terno poderiam lutar contra a o rapaz.
No entanto, os homens não se mexeram, mesmo quando o homem de aparência desarrumada repetiu o processo de olhar para os outros passageiros antes de mover-se alguns assentos mais perto. Depois de várias paradas, ele estava sentado quase ao lado de Laura e, no entanto, ela era a única que parecia incomodada, os homens de terno e a criança permaneciam sem reação.
O coração de Laura bateu quando ela contou mais duas paradas até o apartamento dela. Quão longe os seguranças deixariam o rapaz avançar? Com medo, Laura percebeu que o metrô estava diminuindo à medida que se aproximava da próxima estação. No instante em que as portas se abriram, o estranho agarrou-a pela cintura e carregou Laura, gritando, para fora do metrô. O rapaz a colocou por cima do ombro e correu o mais rápido que pôde, visões de ser roubada, estuprada e assassinada estavam passando por mente. Eventualmente, o homem a colocou no chão. Ele estava ofegante. Ele rapidamente exclamou:
"Senhora, preciso que você se acalme. Meu nome é John, sou estudante da Escola médica de Columbia, trabalho com cadáveres o dia inteiro e te garanto que aquela garotinha não estava viva.”
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Paulo Enrique Garcia
sábado, 6 de janeiro de 2018
Torturas Medievais - Tortura com ratos
Veja o nível de perversidade que o ser humano pode chegar com esse método de tortura extremamente doentio.
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Paulo Enrique Garcia
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quarta-feira, 11 de outubro de 2017
5 Igrejas Decoradas Com Ossos Humanos
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Paulo Enrique Garcia
quinta-feira, 5 de outubro de 2017
História de Terror - A Noite Da Tormenta
Era uma noite escura e chuvosa. Eu estava em casa sozinho, minha esposa e filha tinham ido ao shopping center fazer compras. A solidão e a tempestade formavam um momento perfeito para escrever. Neste dia eu estava escrevendo uma história para o blog chamada “Uma Verdadeira Obra de Arte”, que eu postei algum tempo atrás, apesar do que me aconteceu nessa noite. Senti como se estivesse tocando em coisas que não deveria.
Eu me lembro bem, olhei para o relógio, eram umas 9 horas e eu estava escrevendo a parte onde o personagem principal fazia um ritual satânico. As imagens do ritual rodavam na minha cabeça como um filme e eu ia adicionando algumas coisas, retirando outras e modificando a ordem com que as ações eram executadas. Lá fora, raios e trovões caiam um atrás do outro enquanto eu escrevia:
“Ele despejou o sangue em cima da bíblia o que fez gerar uma explosão…” - minha escrita foi interrompida por uma queda de energia.
A escuridão me envolveu. Eu olhei a minha volta, com os olhos ainda acostumados a luz e eu não enxergava nada, somente escutava a tempestade lá fora e meus cachorros, Rocky e Luna, correndo em minha direção assustados.
O fato de eu não ter salvo o arquivo não preocupou no momento. Eu estava mais preocupado em socorrer os cachorros e procurar meu celular para iluminar a sala, pois silhuetas sinistras me cercavam. Quando escrevo eu me concentro tanto na história que sinto como se estivesse participando de tudo. A tensão deixou minha imaginação fértil e os móveis e objetos tomavam formas que deixavam desconfortável.
O meu celular estava em cima da minha mesa então não foi difícil encontrá-lo. Os cachorros já estavam do meu lado quando eu liguei a lanterna do telefone. Andei até a cozinha, olhei pela janela que dava para a frente da casa para confirmar que a energia tinha caído em toda vizinhança. A única luz que eu vi parecia vir da lanterna do meu vizinho da frente que estava na varanda olhando a vizinhança. Ele deve ter visto a luz do meu celular por que acenou em minha direção e desapareceu atrás das plantas no seu jardim.
Peguei um saco de doritos no armário e sentei no sofá. Rocky e Luna suplicavam por um pouco do meu petisco, e às vezes, eu jogava um punhado para os dois.
Pelo celular entrei no site de notícias locais, fui na sessão do tempo e coloquei o vídeo da previsão. O meteorologista me deu a má notícia que a tempestade duraria até o dia seguinte. Liguei para minha esposa, mas o celular estava desligado, tentei o da minha filha e também não tive sucesso.
“Bom meus filhos” - disse eu olhando para os cachorros - “parece que a energia não volta hoje”. - completei desolado.
Eu queria terminar de escrever aquela história de terror, eu estava empolgado. As vezes eu escrevo e fico tão empolgado que eu não consigo deixar de pensar na história até eu terminar de escrevê-la.
Continuei a formular a cena do ritual na minha cabeça e ali fiquei por um bom tempo. A tempestade lá fora continuava. Rocky e Luna estavam inquietos, pensei que era por causa da chuva, afinal, que cachorro não tem medo de tempestades?
Rocky deu um pulo do sofá e foi até a porta de vidro da sala que dá para o quintal. Ele começou a latir, ficou de pé e as vezes olhava para trás, pedindo para que eu abrisse a porta. Luna foi logo em seguida e começou a fazer o mesmo. Os dois latiam com raiva, pensei que havia um gato lá fora. Então eu levantei e fui até a porta, os cachorros se prepararam pensando que eu iria abri-la. Olhei para fora mas não vi nada. Voltei para sofá e arrastei eles comigo.
Continuei a fazer algumas anotações pelo celular. Quando de novo os cachorros pularam em direção a porta e começaram a latir. Dessa vez corri também na expectativa de ver um gato correndo.
Eu não estava preparado para o que eu vi. Uma pessoa parada a uns 10 metros da porta olhando para mim. Levei um susto e meu coração deixou de bater por dois segundos. Pensei que iria desmaiar de medo. Fixei meu olhar na silhueta e a reconheci. Era minha esposa.
“Bem, você me matar do coração” - gritei.
“O carro estragou a duas quadras daqui, a Maria ficou lá te esperando. Abre a porta por favor.” - respondeu ela.
“Porque você não bateu na porta da frente. Chega mais perto do vidro não consigo te ver. ” - perguntei ainda sentindo uma pontada no coração.
“Abre a porta” - respondeu ela com uma voz estranha.
Tentei iluminar lá fora com a lanterna do celular, mas ela estava muito longe e a luz não chegou até lá. Mesmo assim ela colocou a mão no rosto tampando a claridade. Achei aquilo muito estranho. Os cachorros latiam como se a pessoa lá fora fosse uma estranha.
“Não acende a lanterna, tenho uma surpresa pra você.” - disse ela tentando soar mais normal.
Naquele momento eu tive a certeza que algo estava errado, mas o que eu ira fazer. Eu tinha que abrir a porta, afinal, era minha esposa lá fora e a curiosidade não me deixava preocupar com a minha segurança.
“Vou procurar a chave.” - respondi.
A chave na verdade estava na porta. O que eu realmente fui fazer foi pegar uma faca na cozinha. Abri a gaveta de talheres e peguei a maior faca havia lá, era uma faca azul que usávamos para cortar carne e estava sempre afiada.
Quando voltei ela estava bem perto da porta, sua silhueta sendo iluminada rapidamente por raios. Meu coração batia forte no meu peito, os cachorros continuavam a latir com mais raiva ainda e a chuva havia intensificado.
Destranquei a porta e coloquei a mão direita na maçaneta, a mão esquerda estava segurando a faca escondida atrás de mim. Fui rodando a maçaneta devagar e um estalo me avisou que porta estava aberta. Ela foi puxada para fora violentamente. Rocky e Luna gritaram. Rocky foi para trás do sofá e Luna correu em direção aos quartos. A silhueta que eu achava ser minha esposa aproximou-se de mim rapidamente.
A energia voltou momentaneamente mostrando com o que eu estava lidando e eu não estava preparado para o que vi. Não sei como chamar aquilo, mas vou tentar descrever a criatura da melhor maneira possível.
Tinha forma mais ou menos humana com tentáculos negros espalhados pelo corpo, mas parecia que não solido, era somente um vácuo negro que ao contato com a luz se dissolvia em uma fumaça cinza. Não tinha rosto, mas ao mesmo tempo eu pude incontáveis aparências diferentes. Era como se fosse tudo e nada em um só corpo.
Nesse segundo de luz, a criatura se afastou tentando buscar um lugar de escuridão. Eu alcancei a maçaneta e puxei a porta. A energia voltou a cair e tudo ficou escuro. Quando a porta estava para fechar senti algo segurando meu braço. Por reflexo, eu trouxe a faca que estava que estava na minha outra mão e tentei cortar o tentáculo que me segurava. Para o meu desespero a faca passou pelo que seria o corpo da criatura como se nada estivesse ali e cortou meu braço.
Soltei a faca e apesar da dor continuei segurando a porta com a outra mão. A porta foi puxada para trás uma vez mais e dessa vez eu não consegui segurar. Caí no chão, senti o celular que estava no meu bolso traseiro quebrando. Mesmo assim eu o peguei porque precisava da lanterna, tinha esperança que ele ainda funcionasse, mas para meu azar não funcionou. A criatura se aproximava de mim eu podia ver que ela sentia-se triunfante.
A única coisa que me restava era fazer uma oração. Lembrei imediatamente de uma medalhinha de São Bento que a minha esposa me presenteou que eu carrego na carteira e da oração que eu a escutei recitar várias vezes. Escutando a voz dela em minha cabeça eu repetia em voz alta:
"A Cruz Sagrada seja a minha Luz. Não seja o dragão o meu guia. Retira-te satanás. Nunca me aconselhes coisas vãs. É mau o que tu me ofereces. Bebe tu mesmo o teu veneno."
Escutei os eletrônicos voltando a vida e a luz piscando. A criatura novamente se assustou e ficou ainda mais furiosa. A energia caiu de novo e novamente eu repeti a oração. Outra vez os eletrônicos deram sinal de vida, a lâmpada que estava sobre mim explodiu. A criatura emitiu um som horrível e a energia voltou a cair depois de uns 3 segundos.
Eu sabia que estava funcionando e fui ganhando confiança. Repetindo a oração pela terceira vez, senti uma onda de energia no meu corpo, começando na cabeça, descendo pelo pescoço e ombros e seguindo até as pontas dos meus dedos. Dessa vez eu sabia que iria funcionar.
A energia voltou uma vez mais, a criatura gritou, deu meia volta e desapareceu na escuridão do meu quintal. Corri para porta e a fechei. A energia acabou e uma vez mais a escuridão me envolveu.
Luna e Rocky novamente decidiram aparecer pouco depois.
“Que guardiões fiéis vocês são viu.” - reclamei aos dois que me ignoraram e subiram no sofá.
Fui até a cozinha, peguei um pano de prato e enrolei o corte no meu braço, pois não tinha como achar o kit de primeiro socorros naquela escuridão.
Sentei no sofá com os cachorros e pensando no que havia ocorrido peguei no sono.
Mais tarde acordei com a minha esposa e filha entrando pela porta da frente. Quase fiquei cego, pois todas as luzes da casa estavam acesas, incluindo a luz que tinha explodido. O rádio estava ligado com o volume no máximo, a banda Avenged Sevenfold tocava a canção “Nightmare”. A dor do corte no meu braço me fez acordar mais rápido. Peguei meu celular no chão, estava com a tela quebrada e não funcionava.
“O que aconteceu” - Perguntou minha filha olhando para faca no chão e o pano enrolado no meu braço.
“A energia acabou e eu estava preparando alguma coisa para comer, acabei me cortando e deixando a faca cair no chão.” - Respondi.
“Que estranho, os relógios eletrônicos não estão piscando.” - notou minha esposa. “Deixa eu ver esse corte” - Completou.
Olhei para o relógio do microondas e vi que realmente não estava piscando e o visor mostrava 9:18, ou seja, mais ou menos 18 minutos depois que que a energia havia acabado. Desenrolei o pano e o corte estava lá, grande e profundo, mas não precisei dar pontos. Pomada, curativo e algumas semanas foram o suficiente para fechar.
Quando terminei de fazer o curativo fui até a casa do Manuel, meu vizinho da frente. Perguntei se a energia havia acabado e ele me disse que esteve em casa a noite toda e em hora nenhuma a energia se foi, apesar de que a luz piscava com os raios.
Ainda hoje tento entender os acontecimentos daquele dia. A faca no chão, o corte no meu braço e meu telefone quebrado me faz pensar que tudo aconteceu como eu acabei de descrever. Mas se a energia nunca acabou, como tudo aconteceu? Quem era a pessoa no jardim do meu vizinho que acenou para mim e foi para trás das plantas? Como eu vi a vizinhança sem energia? Foi tudo um pesadelo? Ou talvez minha sanidade tenha começado a falhar...
Eu me lembro bem, olhei para o relógio, eram umas 9 horas e eu estava escrevendo a parte onde o personagem principal fazia um ritual satânico. As imagens do ritual rodavam na minha cabeça como um filme e eu ia adicionando algumas coisas, retirando outras e modificando a ordem com que as ações eram executadas. Lá fora, raios e trovões caiam um atrás do outro enquanto eu escrevia:
“Ele despejou o sangue em cima da bíblia o que fez gerar uma explosão…” - minha escrita foi interrompida por uma queda de energia.
A escuridão me envolveu. Eu olhei a minha volta, com os olhos ainda acostumados a luz e eu não enxergava nada, somente escutava a tempestade lá fora e meus cachorros, Rocky e Luna, correndo em minha direção assustados.
O fato de eu não ter salvo o arquivo não preocupou no momento. Eu estava mais preocupado em socorrer os cachorros e procurar meu celular para iluminar a sala, pois silhuetas sinistras me cercavam. Quando escrevo eu me concentro tanto na história que sinto como se estivesse participando de tudo. A tensão deixou minha imaginação fértil e os móveis e objetos tomavam formas que deixavam desconfortável.
O meu celular estava em cima da minha mesa então não foi difícil encontrá-lo. Os cachorros já estavam do meu lado quando eu liguei a lanterna do telefone. Andei até a cozinha, olhei pela janela que dava para a frente da casa para confirmar que a energia tinha caído em toda vizinhança. A única luz que eu vi parecia vir da lanterna do meu vizinho da frente que estava na varanda olhando a vizinhança. Ele deve ter visto a luz do meu celular por que acenou em minha direção e desapareceu atrás das plantas no seu jardim.
Peguei um saco de doritos no armário e sentei no sofá. Rocky e Luna suplicavam por um pouco do meu petisco, e às vezes, eu jogava um punhado para os dois.
Pelo celular entrei no site de notícias locais, fui na sessão do tempo e coloquei o vídeo da previsão. O meteorologista me deu a má notícia que a tempestade duraria até o dia seguinte. Liguei para minha esposa, mas o celular estava desligado, tentei o da minha filha e também não tive sucesso.
“Bom meus filhos” - disse eu olhando para os cachorros - “parece que a energia não volta hoje”. - completei desolado.
Eu queria terminar de escrever aquela história de terror, eu estava empolgado. As vezes eu escrevo e fico tão empolgado que eu não consigo deixar de pensar na história até eu terminar de escrevê-la.
Continuei a formular a cena do ritual na minha cabeça e ali fiquei por um bom tempo. A tempestade lá fora continuava. Rocky e Luna estavam inquietos, pensei que era por causa da chuva, afinal, que cachorro não tem medo de tempestades?
Rocky deu um pulo do sofá e foi até a porta de vidro da sala que dá para o quintal. Ele começou a latir, ficou de pé e as vezes olhava para trás, pedindo para que eu abrisse a porta. Luna foi logo em seguida e começou a fazer o mesmo. Os dois latiam com raiva, pensei que havia um gato lá fora. Então eu levantei e fui até a porta, os cachorros se prepararam pensando que eu iria abri-la. Olhei para fora mas não vi nada. Voltei para sofá e arrastei eles comigo.
Continuei a fazer algumas anotações pelo celular. Quando de novo os cachorros pularam em direção a porta e começaram a latir. Dessa vez corri também na expectativa de ver um gato correndo.
Eu não estava preparado para o que eu vi. Uma pessoa parada a uns 10 metros da porta olhando para mim. Levei um susto e meu coração deixou de bater por dois segundos. Pensei que iria desmaiar de medo. Fixei meu olhar na silhueta e a reconheci. Era minha esposa.
“Bem, você me matar do coração” - gritei.
“O carro estragou a duas quadras daqui, a Maria ficou lá te esperando. Abre a porta por favor.” - respondeu ela.
“Porque você não bateu na porta da frente. Chega mais perto do vidro não consigo te ver. ” - perguntei ainda sentindo uma pontada no coração.
“Abre a porta” - respondeu ela com uma voz estranha.
Tentei iluminar lá fora com a lanterna do celular, mas ela estava muito longe e a luz não chegou até lá. Mesmo assim ela colocou a mão no rosto tampando a claridade. Achei aquilo muito estranho. Os cachorros latiam como se a pessoa lá fora fosse uma estranha.
“Não acende a lanterna, tenho uma surpresa pra você.” - disse ela tentando soar mais normal.
Naquele momento eu tive a certeza que algo estava errado, mas o que eu ira fazer. Eu tinha que abrir a porta, afinal, era minha esposa lá fora e a curiosidade não me deixava preocupar com a minha segurança.
“Vou procurar a chave.” - respondi.
A chave na verdade estava na porta. O que eu realmente fui fazer foi pegar uma faca na cozinha. Abri a gaveta de talheres e peguei a maior faca havia lá, era uma faca azul que usávamos para cortar carne e estava sempre afiada.
Quando voltei ela estava bem perto da porta, sua silhueta sendo iluminada rapidamente por raios. Meu coração batia forte no meu peito, os cachorros continuavam a latir com mais raiva ainda e a chuva havia intensificado.
Destranquei a porta e coloquei a mão direita na maçaneta, a mão esquerda estava segurando a faca escondida atrás de mim. Fui rodando a maçaneta devagar e um estalo me avisou que porta estava aberta. Ela foi puxada para fora violentamente. Rocky e Luna gritaram. Rocky foi para trás do sofá e Luna correu em direção aos quartos. A silhueta que eu achava ser minha esposa aproximou-se de mim rapidamente.
A energia voltou momentaneamente mostrando com o que eu estava lidando e eu não estava preparado para o que vi. Não sei como chamar aquilo, mas vou tentar descrever a criatura da melhor maneira possível.
Tinha forma mais ou menos humana com tentáculos negros espalhados pelo corpo, mas parecia que não solido, era somente um vácuo negro que ao contato com a luz se dissolvia em uma fumaça cinza. Não tinha rosto, mas ao mesmo tempo eu pude incontáveis aparências diferentes. Era como se fosse tudo e nada em um só corpo.
Nesse segundo de luz, a criatura se afastou tentando buscar um lugar de escuridão. Eu alcancei a maçaneta e puxei a porta. A energia voltou a cair e tudo ficou escuro. Quando a porta estava para fechar senti algo segurando meu braço. Por reflexo, eu trouxe a faca que estava que estava na minha outra mão e tentei cortar o tentáculo que me segurava. Para o meu desespero a faca passou pelo que seria o corpo da criatura como se nada estivesse ali e cortou meu braço.
Soltei a faca e apesar da dor continuei segurando a porta com a outra mão. A porta foi puxada para trás uma vez mais e dessa vez eu não consegui segurar. Caí no chão, senti o celular que estava no meu bolso traseiro quebrando. Mesmo assim eu o peguei porque precisava da lanterna, tinha esperança que ele ainda funcionasse, mas para meu azar não funcionou. A criatura se aproximava de mim eu podia ver que ela sentia-se triunfante.
A única coisa que me restava era fazer uma oração. Lembrei imediatamente de uma medalhinha de São Bento que a minha esposa me presenteou que eu carrego na carteira e da oração que eu a escutei recitar várias vezes. Escutando a voz dela em minha cabeça eu repetia em voz alta:
"A Cruz Sagrada seja a minha Luz. Não seja o dragão o meu guia. Retira-te satanás. Nunca me aconselhes coisas vãs. É mau o que tu me ofereces. Bebe tu mesmo o teu veneno."
Escutei os eletrônicos voltando a vida e a luz piscando. A criatura novamente se assustou e ficou ainda mais furiosa. A energia caiu de novo e novamente eu repeti a oração. Outra vez os eletrônicos deram sinal de vida, a lâmpada que estava sobre mim explodiu. A criatura emitiu um som horrível e a energia voltou a cair depois de uns 3 segundos.
Eu sabia que estava funcionando e fui ganhando confiança. Repetindo a oração pela terceira vez, senti uma onda de energia no meu corpo, começando na cabeça, descendo pelo pescoço e ombros e seguindo até as pontas dos meus dedos. Dessa vez eu sabia que iria funcionar.
A energia voltou uma vez mais, a criatura gritou, deu meia volta e desapareceu na escuridão do meu quintal. Corri para porta e a fechei. A energia acabou e uma vez mais a escuridão me envolveu.
Luna e Rocky novamente decidiram aparecer pouco depois.
“Que guardiões fiéis vocês são viu.” - reclamei aos dois que me ignoraram e subiram no sofá.
Fui até a cozinha, peguei um pano de prato e enrolei o corte no meu braço, pois não tinha como achar o kit de primeiro socorros naquela escuridão.
Sentei no sofá com os cachorros e pensando no que havia ocorrido peguei no sono.
Mais tarde acordei com a minha esposa e filha entrando pela porta da frente. Quase fiquei cego, pois todas as luzes da casa estavam acesas, incluindo a luz que tinha explodido. O rádio estava ligado com o volume no máximo, a banda Avenged Sevenfold tocava a canção “Nightmare”. A dor do corte no meu braço me fez acordar mais rápido. Peguei meu celular no chão, estava com a tela quebrada e não funcionava.
“O que aconteceu” - Perguntou minha filha olhando para faca no chão e o pano enrolado no meu braço.
“A energia acabou e eu estava preparando alguma coisa para comer, acabei me cortando e deixando a faca cair no chão.” - Respondi.
“Que estranho, os relógios eletrônicos não estão piscando.” - notou minha esposa. “Deixa eu ver esse corte” - Completou.
Olhei para o relógio do microondas e vi que realmente não estava piscando e o visor mostrava 9:18, ou seja, mais ou menos 18 minutos depois que que a energia havia acabado. Desenrolei o pano e o corte estava lá, grande e profundo, mas não precisei dar pontos. Pomada, curativo e algumas semanas foram o suficiente para fechar.
Quando terminei de fazer o curativo fui até a casa do Manuel, meu vizinho da frente. Perguntei se a energia havia acabado e ele me disse que esteve em casa a noite toda e em hora nenhuma a energia se foi, apesar de que a luz piscava com os raios.
Ainda hoje tento entender os acontecimentos daquele dia. A faca no chão, o corte no meu braço e meu telefone quebrado me faz pensar que tudo aconteceu como eu acabei de descrever. Mas se a energia nunca acabou, como tudo aconteceu? Quem era a pessoa no jardim do meu vizinho que acenou para mim e foi para trás das plantas? Como eu vi a vizinhança sem energia? Foi tudo um pesadelo? Ou talvez minha sanidade tenha começado a falhar...
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sábado, 5 de agosto de 2017
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Paulo Enrique Garcia
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quinta-feira, 6 de julho de 2017
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Paulo Enrique Garcia
terça-feira, 22 de abril de 2014
Filmes de Terror - A Morte do Demônio 2013
Titulo: A Morte do Demônio
Titulo Original: Evil Dead
Gênero: Terror, Horror, Lugares Assombrados, Histórias Satânicas, Espíritos
Direção: Fede Alvarez
Produção: Bruce Campbell, Robert Tapert e Sam Raimi
Escrito Por: Fede Alvarez, Rodo Sayagues e Diablo Cody
Elenco Principal: Jane Levy, Shiloh Fernandez, Lou Taylor Pucci, Jessica Lucas e Elizabeth Blackmore
Duração: 91 minutos
Website: http://www.sonypictures.com/movies/evildead/discanddigital/
Assista o trailer e leia o comentário.
quarta-feira, 9 de outubro de 2013
Filmes de Terror - Evocando Espíritos 2
Titulo: Evocando Espíritos 2
Titulo Original: The Haunting in Connecticut 2: Ghosts of Georgia
Gênero: Terror, Horror, Lugares Assombrados, Espíritos
Direção: Tom Elkins
Produção: Paul Brooks, Brad Kessell, Scott Niemeyer e Norm Waitt
Escrito Por: Dave Coggeshall
Elenco Principal: Abigail Spencer, Chad Michael Murray, Katee Sackhoff, Emily Alyn Lind e Cicely Tyson
Duração: 100 minutos
Website: N/A
Assista o trailer
Titulo Original: The Haunting in Connecticut 2: Ghosts of Georgia
Gênero: Terror, Horror, Lugares Assombrados, Espíritos
Direção: Tom Elkins
Produção: Paul Brooks, Brad Kessell, Scott Niemeyer e Norm Waitt
Escrito Por: Dave Coggeshall
Elenco Principal: Abigail Spencer, Chad Michael Murray, Katee Sackhoff, Emily Alyn Lind e Cicely Tyson
Duração: 100 minutos
Website: N/A
Assista o trailer
terça-feira, 1 de outubro de 2013
Uma Verdadeira Obra de Arte
O mercado de usados era uma loucura, vendedores gritando na tentativa de atrair clientes enquanto as pessoas caminhavam em um bloco que mais parecia um arrastão na busca de mercadorias boas a preço de banana. Jorge adorava o lugar, ele vinha todos os sábados com seu pai, em quanto sua mãe tomava conta do brechó na periferia que eles eram proprietários. Enquanto seu pai negociava com as pessoas Jorge saía para olhar coisas de seu próprio interesse.
Em um desses sábados ele andava pelo mercado como de costume quando viu um homem muito peculiar para o lugar. Era jovem, bem vestido, bem penteado e tinha uns objetos góticos em sua mesa. Ele se aproximou do homem e começou a analisar os objetos. Havia caveiras, crucifixos, pêndulos, punhais, etc.
“Posso te ajudar?” – Perguntou o vendedor.
“Na verdade estou só olhando, apesar de gostar desse estilo meu pai me mataria se eu comprasse algo tão... tão...”
“Bizarro?”
Em um desses sábados ele andava pelo mercado como de costume quando viu um homem muito peculiar para o lugar. Era jovem, bem vestido, bem penteado e tinha uns objetos góticos em sua mesa. Ele se aproximou do homem e começou a analisar os objetos. Havia caveiras, crucifixos, pêndulos, punhais, etc.
“Posso te ajudar?” – Perguntou o vendedor.
“Na verdade estou só olhando, apesar de gostar desse estilo meu pai me mataria se eu comprasse algo tão... tão...”
“Bizarro?”
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Paulo Enrique Garcia
sexta-feira, 27 de setembro de 2013
Dom Especial
Este é um pequeno conto de um acontecimento REAL que aconteceu com uma amiga.
Juliana estava andando no centro da cidade com sua filha Marina de seis anos. Uma mulher se aproximou das duas e disse:
“Essa menina tem um dom muito especial. Ela pode ver e se comunicar com espíritos. Você vai ter que ajudar ela a desenvolver esse dom.” – disse apontando para Juliana.
As duas saíram correndo com medo daquela mulher estranha. Juliana nunca havia acreditado em espíritos então não deu muita importância e acabou esquecendo-se daquele episódio tenebroso.
Juliana estava andando no centro da cidade com sua filha Marina de seis anos. Uma mulher se aproximou das duas e disse:
“Essa menina tem um dom muito especial. Ela pode ver e se comunicar com espíritos. Você vai ter que ajudar ela a desenvolver esse dom.” – disse apontando para Juliana.
As duas saíram correndo com medo daquela mulher estranha. Juliana nunca havia acreditado em espíritos então não deu muita importância e acabou esquecendo-se daquele episódio tenebroso.
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Paulo Enrique Garcia
terça-feira, 24 de setembro de 2013
Aterrorizada
Titulo: Aterrorizada
Titulo Original: The Ward
Gênero: Terror, Horror, Lugares Assombrados, Suspense e Suspense psicológico.
Direção: John Carpenter
Produção: Peter Block, Doug Mankoff, Mike Marcus e Andrew Spaulding
Escrito Por: Michael Rasmussen e Shawn Rasmussen
Elenco Principal: Amber Heard, Mamie Gummer, Danielle Panabaker, Laura-Leigh, Lyndsy Fonseca, Mika Boorem e Jared Harris
Duração: 90 minutos
Website: theward.theofficialjohncarpenter.com
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Titulo Original: The Ward
Gênero: Terror, Horror, Lugares Assombrados, Suspense e Suspense psicológico.
Direção: John Carpenter
Produção: Peter Block, Doug Mankoff, Mike Marcus e Andrew Spaulding
Escrito Por: Michael Rasmussen e Shawn Rasmussen
Elenco Principal: Amber Heard, Mamie Gummer, Danielle Panabaker, Laura-Leigh, Lyndsy Fonseca, Mika Boorem e Jared Harris
Duração: 90 minutos
Website: theward.theofficialjohncarpenter.com
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Paulo Enrique Garcia
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