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sábado, 30 de outubro de 2021

História de Terror - Noite Infernal



Há muito tempo atrás eu trabalhava em uma agência bancária. Era um ótimo emprego, bom salário e um plano de saúde melhor ainda. Na época eu ainda era solteiro e morava sozinho em um apartamento que ficava próximo da agência.

Certo dia, como de costume eu saí do trabalho, passei pelo meu restaurante favorito, comprei uma marmita e fui para casa. Quando eu cheguei lá, notei algo estranho, não era nada palpável, tudo estava como eu deixei, mas senti uma sensação estranha, como se estivesse entrando na casa de alguém. Eu senti um aroma floral por todos cantos da casa. Agora, quando eu penso bem, era o mesmo cheiro que nós sentimos quando entramos em um cemitério. Um cheiro forte de flores tentando cobrir o cheiro de podridão.

Acho que o meu nariz foi se acostumando com o aroma, logo o cheiro saiu da minha cabeça. Eu fiquei o resto da noite jogando no computador. Por volta da meia noite eu decidi dormir. Liguei a televisão do quarto e fiquei assistindo uma série até pegar no sono.

Assim que eu fechei os olhos e cochilei escutei um barulho vindo da porta. Eu acordei assustado procurando ao redor o que tinha causado o ruído e até me levantei para olhar no corredor. Não encontrei nada errado e voltei para a cama, continuei assistindo televisão e outra vez cochilei, aí eu escutei algo muito mais sinistro. Era o som de uma pessoa tentando falar, arregalei os olhos e quando virei para o lado de onde o som veio eu vi a silhueta de uma pessoa, ou alguma coisa parada na porta do quarto. Imediatamente eu soube que aquilo não era humano, pois a sombra não era sólida.

Eu gritei, girei meu corpo na cama e com um pé fechei a porta do quarto deixando a figura do lado de fora. Em seguida eu levantei e acendi a luz. Com o susto meu sono foi completamente embora e eu fiquei alí aterrorizado sem saber o que fazer, pois eu não tinha nenhuma idéia de como me livrar daquilo. Fiquei alí deitado com a luz acesa, a televisão no fundo me fazendo companhia e com o celular na mão, conversando com amigos pelo whatsapp. Decidi não contar a ninguém sobre o ocorrido porque ninguém acredita nessas coisas e ainda ficam zoando dizendo que somos medrosos.

A noite foi passando e eu continuei trancado no quarto e com o sono cada vez mais pesado, eu já não estava mais aguentando ficar acordado. O relógio marcava quatro e meia da manhã e a vontade de usar o banheiro aumentava a cada minuto, mas eu aguentava firme como um prisioneiro em sua cela. Mas o cansaço é traiçoeiro e eu acabei pegando no sono.

Outra vez fui acordado pelo fantasma e desta vez com um som maligno. Meu coração batia tão rápido e forte que eu achei que aquele seria meu fim. Inocentemente eu pensei que estava seguro trancado no quarto, mas não estava. Notei um leve movimento na cortina que de repente tomou forma e lentamente movia-se em minha direção.

Entrei embaixo da coberta e fiz a única coisa que eu consegui, eu chorei. Eu senti a presença se aproximando da cama, colocando sua mão em mim e arranhando o tecido, tentando puxar a coberta para baixo, desesperado eu segurava forte. Naquele momento eu soube o que é terror verdadeiro.

De uma vez eu senti como se um tivesse tirado um peso das costas, o ambiente voltou ao normal e senti uma tranquilidade interior. Eu descobri o rosto e vi que novamente estava sozinho.

Eu passei o resto da noite vendo vídeos no celular, esperando a proteção da luz do dia. Assisti os primeiros raios do sol saindo por trás do horizonte com um alívio inexplicável. Eu estava me sentindo um trapo, mandei uma mensagem para o meu gerente avisando que não iria trabalhar porque estava doente. Com a janela aberta deixando o sol tocar no meu rosto eu desmaiei. Horas depois eu acordei me sentindo bem melhor. Peguei meu celular e tinha dezenas de ligações e mensagens. Uma tragédia havia acontecido.

Se você trabalha em um banco ou lugar onde se movimente dinheiro ou coisas de valor, você sabe que há um medo diário de assalto. E foi exatamente nesse dia que um assalto ocorreu naquele banco. Mas isso não é o mais sinistro.

O assaltante que estava recolhendo dinheiro dos caixas deu um tiro no peito de um companheiro de trabalho que morreu na hora. E acontece que ele não trabalhava no caixa, ele estava lá porque eu faltei então ele estava me cobrindo.

É claro que eu não posso explicar o que aconteceu, mas às vezes eu penso como aquela entidade sabia o que ia acontecer e se ela queria salvar minha vida ou destruir a do meu colega.

sábado, 5 de junho de 2021

Histórias de Terror Reais - Relatos sobrenaturais




A história que vou contar aconteceu comigo quando tinha uns 10 anos. Eu tenho um vizinho que é da minha idade e sempre fomos melhores amigos, e ainda somos até hoje. Eu ia dormir na sua casa quase todo fim de semana, pois ele era filho único e sua mãe gostava de ter outras crianças em casa, além disso ela era muito amiga da minha mãe. Um dia nós decidimos brincar de acampamento e fizemos uma barraca com cadeiras e lençóis. Nós ficamos la dentro jogando baralho. Foi ficando tarde e nós ficamos com fome, ele saiu da barraca e foi pra cozinha pegar alguma coisa pra gente comer.

De repente eu olho pra porta e vejo a silhueta de um rapaz através do lençol.

domingo, 16 de maio de 2021

Penanggalan - Criatura Macabra

Histórias de Terror


Nome: Penanggalan

Região: Malásia

Em uma pequena vila isolada na Malásia, uma mãe é acordada no meio da noite com o choro de seu bebe. Ainda sonolenta ela se levanta para ir cuidar de seu filho. No momento que ela entra no quarto todo sono vai embora, ela grita e ataca a criatura devorando o seu bebe. Na manhã seguinte, os moradores encontram a mulher e seu marido mortos e o bebe desaparecido. Eles sabem o que causou tamanha tragédia... Penanggalan

sexta-feira, 14 de maio de 2021

Historias de Terror Em Hospitais [8 experiências aterrorizantes]

Mais um vídeo de histórias de terror reais. Nesse vídeo você vai conhecer historias sinistras de medicos, enfermeiras e pacientes que contaram alguns eventos extremamente assustadores que aconteceram com eles em hospitais. Oito relatos de terror reais que vão fazer você repensar suas crenças sobre a vida depois da morte. Essas histórias, não aconteceram em hospitais abandonados e destruídos, mas sim, em hospitais onde vamos regularmente.
 


1.

Minha mãe trabalhava com idosos. Ela sempre descreveria a paz depois que alguém morria em um quarto, como uma 'calma sobrenatural'. No entanto, um dia, um velho entrou no hospital. Ele era um idiota, fazia comentários racistas e tratava todo mundo mal. Nenhum familiar foi vê-lo enquanto ele estava morrendo. Ele fazia as enfermeiras chorarem por diversão.

Porém, as coisas mudaram algumas horas antes de ele morrer, ele tentou ser gentil, dava para notar que ele estava muito assustado. Finalmente, quando ele faleceu, minha mãe disse que o quarto ficou escuro e as enfermeiras ficaram com medo de entrar la sozinhas. 


2.

Eu trabalhava em um hospital que transformou uma parte da unidade de internação em ala de cirurgia. À noite esse lado era trancado e ninguém ficava lá.

Várias vezes, entre 1h e 4h da manhã, os botões de chamada do paciente disparavam. Isso acontecia em quartos aleatórios, mas geralmente eram nos quartos 3 e 5 e sempre nas mesmas camas. Freqüentemente, nossa sala de armazenamento, que não usada para atendimento ao paciente há anos, tinha uma maior quantidade de botões de chamada acionados.

terça-feira, 20 de abril de 2021

Histórias de terror reais [Relatos sobrenaturais reais] Episódio 1

Histórias de Acampamento - Episódio 1

Histórias de Acampamento

Histórias de terror reais reais contadas pela comunidade do blog e do canal Mistérios e Terror. Fantasmas, espíritos, demônios, criaturas macabras, terror da mais pura e aterrorizante forma.

Neste episódio:
Falando de mortos
Médium sem controle de suas visões afetada por macumba
Brincadeiras para evocar entidades 
Paralisia do sono 
Fantasma na foto 

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sexta-feira, 16 de abril de 2021

Historias de Terror - Amor de mãe [ Relato Sobrenatural ]

 

Historias de Terror - Amor de mãe

Semana passada eu estava assistindo a um programa de televisão, desses do tipos que mostram experiências sobrenaturais reais e decidi contar essa história que tem me assombrado desde que eu tinha 12 anos. Na época meu melhor amigo se chamava Mateus. Nós nos conhecemos na pré-escola e nos tornamos inseparáveis. 

Nós estudávamos juntos e Mateus morava uma rua abaixo da minha. Ele morava somente com sua mãe, seu pai era um homem muito estranho e sua mãe se divorciou porque ele era abusivo. Eu me lembro dele, estava sempre irritado, olhava torto para mim e andava sempre resmungando.

Mateus nem podia escutar falar do pai ele ficava com medo e triste. Uma vez ele me disse que se um dia sua mãe o mandasse morar com o pai ele fugiria de casa. Ele odiava o pai de verdade.

Todos os dias nós voltávamos da escola juntos. Caminhávamos os quatro quarteirões até minha casa onde eu deixava minha mochila e depois íamos para sua casa que tinha um quintal grande onde brincávamos até anoitecer. 

segunda-feira, 25 de junho de 2018

Histórias de Terror - Borbulha e Homem Inseto

Histórias de Terror - Creepypasta

Escrita por: Wontthinkstraight

Quando você tem cinco anos, sua mente não tem experiência para fazer julgamentos informados, ou conectar coisas que não são óbvias. Ao longo dos anos, os detalhes ficam confusos e esquecidos. Falando com meus pais no outro dia, eles limparam as teias de aranha que enterravam esta história.

Lembro-me agora, muito claramente, da história de Borbulha e Homem Inseto.

Eu tinha acabado de começar o jardim de infância naquele ano. Todo mundo é seu amigo quando você tem cinco anos, então eu não me faltava colegas de classe. Mas vindo de uma família pobre, eu não conseguia vê-los fora da escola. Meus pais passavam todas as horas de vigília tentando sobreviver e não tinham tempo para me levar de casa em casa.

Então eu passei meus primeiros anos na maior parte mantendo-se para mim, jogando com a variedade aleatória de knick knacks da prateleira no meu quarto. Estar sempre sem dinheiro deu à minha família o hábito de acumular coisas velhas, meus pais odiavam jogar qualquer coisa fora.

Um item em particular na prateleira era um televisor pequeno e antiquado. Uma caixa de folheado de madeira com cerca de 60 cm de largura por 30 cm de altura, tinha uma tela de vidro curvada que ocupava metade do painel frontal. Ao lado da tela havia um grande mostrador cromado usado para trocar de canal. No topo, havia uma antena formada por dois fios terrivelmente torcidos.

Quando meu tédio me fez ligá-la, ela normalmente ficava com a estática e chuvisco naquela tela preta e branca brilhante. Eu mudava de canal no discador esperando pegar algumas transmissões locais. Na maior parte, eram imagens fantasmagóricas e fragmentos sonoros incoerentes. Mas um canal sempre tinha a imagem perfeita.

Era o show de Borbulha e Homem Inseto.

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Histórias de Terror - Recanto Rústico - Parte 2

Histórias de Terror
Se você ainda não leu a primeira parte clique no link abaixo para Ler:
Recanto Rústico - Parte 1

Amanda não voltou para casa naquela noite. Os dias passaram; Não me foi dada nenhuma pista sobre o paradeiro dela. Liguei algumas vezes, mas o telefone dela estava desligado. Eu deveria estar preocupado que ela tinha deixado suas coisas no apartamento. Mas ela tinha sua carteira de identidade e cartões bancários, tinha muitos uniformes limpos guardados na casa de seus pais, e presumi que ninguém em sua família gostava o suficiente de mim para ligar.

Finalmente, uma semana depois, Gabriel e eu fomos mandados de volta a Recanto Rústico.

Eu não lembro quem ou o que deveríamos buscar. Estávamos andando pelo pequeno vestíbulo, notando a ausência de Greta, quando senti as mãos ao redor da minha cintura. Mãos minúsculas e bem cuidadas. Amanda estava atrás de mim, parecendo mais feliz do que nunca. Gabriel sacudiu a cabeça e disse que me encontraria no segundo andar.

Quando ele se foi, Amanda me pegou pela mão e me levou embora. Em direção à porta dos fundos, que só era usada por enfermeiras que fumavam. Por um corredor estreito que eu nunca havia notado, que se estendia para a esquerda da porta dos fundos e terminava em um beco sem saída.

"Amanda", eu disse, "por onde você esteve? Eu estava começando a ficar preocupado."

Ela parou de puxar e se virou, me segurando perto. Ela colocou os braços em volta do meu pescoço, ficou na ponta dos pés e me beijou apaixonadamente.

"Eu estava com uma amiga", ela murmurou no meu ouvido. "Eu sinto sua falta, Fernando."

Ela me beijou novamente, então se afastou e puxou minha mão com uma força surpreendente. Ela parou em frente a um pequeno armário de armazenamento, em frente ao depósito do zelador.

"Faça amor comigo, Fernando", ela respirou, sua voz sensual. "Eu conheço um lugar especial."

Ela pegou a maçaneta. Assim que ela soltou minha mão, meus sentidos voltaram para a terra.

"Amanda", eu disse gentilmente, "eu tenho que pegar um paciente. Venha para casa hoje à noite. Nós vamos conversar.

Ela olhou nos meus olhos com um sorriso "venha aqui". Por alguma razão, isso me assustou. Talvez porque sua boca parecia se estender um pouco longe demais em suas bochechas. Ou seu olhos arregalados. Ou talvez porque, nos seis anos em que havíamos sido um casal, Amanda nunca usou a frase “faça amor comigo”. De um jeito ou de outro, meu radar de esquisitice captou alguma coisa, e com mais um “venha para casa hoje à noite” Eu escapei para o elevador.

"Fernando!" Amanda me chamou, eu não me virei.

No segundo andar, encontrei Gabriel conversando com uma mulher coreana que reconheci como a enfermeira-chefe do primeiro andar, a supervisora ​​de Amanda. A enfermeira olhou quando ela me viu.

"Ei você", ela disse rudemente, "você é o marido de Amanda, certo?"

Eu balancei a cabeça, convidando o comentário malicioso.

“Onde esta sua esposa?” Ela perguntou. "O telefone dela está morto, ela não apareceu para o trabalho em uma semana."

"Hum, ela está aqui", eu disse. “Ela está lá embaixo. Acabei de falar com ela.

A enfermeira sacudiu a cabeça. "Bem, eu não a vi o dia todo, e acabei de sair do escritório há cinco minutos. Ela não bate o ponto desde o dia doze.

Eu estava confuso. Eu disse algo para a enfermeira, então desci as escadas para o primeiro andar para encontrar Amanda e provar sua presença. Eu a beijei, senti seus braços em volta de mim. Então, ou ela estava deliberadamente zuando com sua supervisora ou então a supervisora era louca.

Ou eu estava louco.

Ninguém estava na mesa das enfermeiras do primeiro andar. Eu andei pelos corredores, espiando os quartos. Nada da Amanda. Então pensei em alguma coisa. Ela não tinha marcado desde o décimo segundo. O 12 de fevereiro. Isso soa familiar.

Eu chequei meu telefone. A última ligação perdida da Amanda ocorreu no dia 12 de fevereiro. Esse foi o dia em que ela me perseguiu no saguão, acusou-me de chamar seu nome em uma "voz assustadora", exigindo o divórcio.

Eu vi o ícone do correio de voz e lembrei que ela havia me deixado uma mensagem naquele dia. Disquei meu correio de voz, apaguei algumas mensagens e ouvi a voz da minha esposa. Sua voz soluçante, apavorada e aterrorizada.

"Fernando!" Ela respirou. “Fernando, sei que você não está aqui, mas continuo ouvindo sua voz. E eu te vi novamente. Mas não foi você, porque seu rosto estava todo embaçado. Então você… você entrou no armário e desapareceu. Isso é uma piada? Por favor, me diga que isso é um ...

Ela engasgou e ouvi o telefone cair. Então uma voz masculina abafada. Uma voz que soava terrivelmente familiar, dizendo algo como "achei você!"

Então ouvi outra voz. A voz da minha esposa. Chamando meu nome. Mas não estava vindo do meu celular.

“Fernando! Fernando!

Eu segui a voz. Estava vindo da entrada dos fundos, da direção do armário que a Amanda tentou me arrastar. Quando me aproximei, lembrei-me do que me disseram sobre a velha Greta. Ela enlouqueceu e eles a encontraram arranhando na porta de um armário. Teria sido essa porta?

Eu girei a maçaneta, liguei o interruptor de luz.

Eu me vi olhando para uma pequena e empoeirada sala de armazenamento, aparentemente usada como lixeira de caixas de papelão e equipamentos quebrados. O chão estava descascando e teias de aranha pendiam de duas prateleiras baratas de metal. Uma camada grossa de poeira me disse que essa sala raramente era acessada pela equipe de enfermagem.

Eu ouvi de novo.

“Fernando! Fernando!

Eu fiz um 360, então fui atingido com a percepção vertiginosa de que a voz estava vindo de baixo do chão.

Qualquer um com o QI de um macaco poderia dizer que eu deveria ter desistido. Que uma voz incorpórea chamando meu nome, embaixo do chão no primeiro andar de um prédio, não era um fenômeno que eu deveria investigar sozinho. Mas, em algum lugar entre a minha conversa sexy com Amanda e sua mensagem bizarra no meu celular eu parei de pensar logicamente.

Eu olhei em volta. Sem portas, sem escadas, e eu sabia que não havia um botão "porão" nos elevadores. Então eu vi isso. Embaixo de uma das prateleiras - um alçapão. E um pequeno objeto preto. Eu me ajoelhei para olhar.

Um Motorola Razr, com uma capa Hello Kitty e uma pequena rachadura no canto inferior esquerdo da tela. O telefone da Amanda.

Essa descoberta estimulou meu sistema nervoso. Levantei-me, peguei a prateleira e puxei. Com um VOOM alto, a estrutura de metal girou. Eu examinei o alçapão. Estava trancado e preso com uma fechadura enferrujada e empoeirada.

A voz de Amanda - mais alta - flutuou por baixo. “Fernando! Venha me encontrar, Fernando!

Usando meu canivete, abri facilmente o cadeado velho. Então eu levantei.

Eu vi a escuridão. Quando meus olhos se ajustaram, vi escadas. Escadas de madeira úmidas e podres que levam a algum tipo de adega. Eu respirei e fiz vomito. O cheiro de mofo e terra era avassalador. Era o cheiro de um galpão de madeira depois da chuva, misturado com o cheiro de uma pilha de compostagem, misturado com um cheiro que lembrava a família de gambás que havia ficado presa de baixo do trailer de minha mãe em dezembro, morreu e apodreceu até abril.

"Fernando!" Amanda chorou novamente. Desta vez, ela parecia agitada. Assustada.

Eu respirei fundo e depois desci.

Eu continuei cautelosamente - telefone celular em uma mão, canivete agarrado na outra - passo a passo. Pela luz azul pálida da tela da minha cela, vi o chão sujo. Eu peguei uma mancha escura que deve ter sido uma poça, e ouvi um leve gotejar. As paredes eram de cimento cinza com desenhos pretos pintados nelas.

Então, minha luz fraca caiu sobre uma mulher com roupas azuis e longos cabelos negros. Amanda.

"Amanda!" Eu gritei. "Amanda! Que porra você está fazendo ...

“Shhh.” Ela colocou o dedo nos lábios enquanto se aproximava da escuridão.

Então eu estava de pé no chão de terra e ela estava perto. Perto o suficiente para eu ver que as feições dela não estavam certas. Seus olhos eram muito pequenos. Seu nariz era muito plano.

Ela pegou minhas mãos. Seus traços mudaram, borrando para dentro e fora de foco. Foi um efeito da luz que entrava pelo alçapão? Os meus olhos ainda estavam se ajustando? E por que Amanda, de todos os lugares, escolheu ...

E então a boca dela estava na contra a minha sua. Sua língua entrou em minha boca.

Eu não consegui comer por três dias. Eu senti sua língua quente se dissolver na minha boca. Tornando-se fria e morta. Quebrar em pedaços de gelo que tinham gosto de poeira e repolho amarrado e peixe podre, expandindo na minha garganta e me sufocando...

Eu me afastei, tossindo e cuspindo e tentando gritar. Eu deixei cair meu telefone. Enquanto eu secava, ouvi a risada de Amanda. Agora parecia distante. Sem pensar, me levantei.

Meu telefone aterrissou em uma poça, criando um holofote invertido. Um corpo, com uma corda em volta do pescoço, pendia das vigas. Imobilizado pelo terror, fui forçado a aceitar todos os detalhes.

Uniforme de enfermeira. Pés balançando sem vida. Como mãos formando garras, corpo duro por rigor mortis. Cabelo preto comprido. Bochechas roxas, boca aberta, língua inchada pingando saliva escura. Olhos de opala sangrentos que se projetam como um personagem de desenho animado demente, olhando para o esquecimento.

Amanda, morta.

Eu não sei quanto tempo eu olhei para a minha esposa morta pendurada no teto antes de sentir a mão no meu ombro. Sacudido da minha paralisia traumatizada, eu me virei.

Iluminado pela luz do alçapão aberto, minha imagem estava na minha frente.

Enquanto o sósia de Amanda entrava e saía de foco, o meu era explícito, grosseiramente exato em todos os mínimos detalhes. Os pequenos pêlos das minhas bochechas com barba por fazer. A espinha vermelha na minha testa. A cicatriz no canto do meu olho, de quando eu “caí da minha bicicleta” durante uma das agressões do meu segundo padrasto de bêbado. Meu sorriso era malicioso e triunfante. Então disse, com uma voz distorcida.

"Você não vai dizer 'obrigado'?"

E começou a derreter.

Eu não me lembro muito depois disso. Eu ouvi minha própria voz gritando - se era eu ou meu sósia putrefato, eu não quero descobrir. Havia mais vozes, vozes de mulheres, gritos de mulheres. Mãos ásperas em mim, um braço em volta dos meus ombros, me levando para cima ... depois a luz do sol, depois as sirenes.

Amanda estava morta há mais de uma semana. Isso é o que os policiais me disseram, a segunda vez que fui questionado. Os tipos de perguntas que eles estavam perguntando, eu tinha certeza que eles iriam colocar a culpa em mim, especialmente dada a natureza do meu relacionamento com a Amanda. Mas eles não o fizeram.

No final, eles decidiram que foi suicídio. Ela morreu por estrangulamento, embora eles não soubessem como ela conseguiu. Ela deve ter encontrado a corda já pendurada nas vigas - o porão tinha quatorze metros de altura; não havia como ela ter sido capaz de subir e amarrar sozinha. Nem conseguiram encontrar a cadeira ou banquinho que ela havia pulado.

Eles não sabiam como ela havia encontrado o porão. Nenhuma das enfermeiras sabia que a adega de chão sujo existia. Quando a empresa de assistência médica comprou e destruiu o local, eles deixaram a parte de trás do primeiro andar como estava. Nenhuma atenção foi dada ao pequeno e triste armário.

E ninguém poderia explicar como ela tinha entrado no porão em primeiro lugar. Havia apenas uma entrada - o alçapão. O alçapão que eu encontrei, trancado do lado de fora.

Mesmo com o relatório do legista, os policiais tiveram dificuldade em fixar uma linha do tempo. Amanda desapareceu no dia 12, e a enfermeira chefe era inflexível. Insisti em vê-la viva no dia em que seu corpo foi encontrado. Gabriel me apoiou.

Nós não estávamos sozinhos.

Outra enfermeira conversou com Amanda no dia 15; ela se lembrou da data porque era o dia depois do dia de São Valentim. E um paciente alegou que ele não tinha realmente visto Amanda, já que estava escuro e sua visão não era o que costumava ser, mas tinha ouvido a voz dela cantando para ele dormir.

Este era particularmente estranho, porque a noite em que o velho supostamente ouviu Amanda cantar era umas duas semanas depois que ela morreu, e uma semana depois de seu corpo em decomposição ter sido recuperado. Os policiais o escreveram confuso. Mas não tenho tanta certeza.

*****

Eu saí da cidade depois do funeral de Amanda. Meu pai em minha cidade natal, com quem eu não falava há anos, ligou inesperadamente e me convidou para ficar com ele. Quando os flashbacks pararam e as lembranças chegaram ao fim, eu apertei os parafusos soltos na minha cabeça e fui para a escola de paramédicos.

Só me candidatei ao emprego de paramédico do estado porque era ultra competitivo e presumi que não seria aprovado no exame psiquiátrico. Quando meu pacote chegou pelo correio, peguei-o na varanda com as mãos trêmulas. Eu queria dizer não. Mas era o trabalho pelo qual um milhão de pessoas mataria; e meu pai me disse que ele me derrubaria, me jogaria na traseira de sua caminhonete e me deixaria nos degraus da estação se fosse necessário.

*****

Voltei para a cidade onde vivia com Amanda em março deste ano. Eu não conhecia ninguém; Eu perdi contato com todos os meus velhos amigos e Gabriel estava em em outro estado na faculdade de medicina. Meu novo parceiro era um cara legal. Ele me convidou para um churrasco em sua igreja, prometendo que haveria muitas pessoas da nossa idade.

Não havia, mas eu conheci o tio Raul do meu novo parceiro, um policial aposentado. Nós conversamos, e eu soube que ele tinha sido um dos policiais que investigaram a morte de Amanda. Ele foi legal. Eu nunca fui um suspeito, ele me assegurou. Suicídio foi a única conclusão lógica.

"Conclusão lógica", ele disse sarcasticamente. Então, ele me perguntou o que eu sabia sobre fenômenos sobrenaturais.

Eu forcei uma risada. Ele não fez isso.

Ele perguntou se eu tinha visto as paredes de concreto do porão, a sala subterrânea onde Amanda foi encontrada morta. Haviam pequenos desenhos pretos, lembrei-me.

Eles eram rostos, ele me disse.

Enfrenta todas as paredes do porão. Alguns eram reconhecíveis - funcionários da Recanto Rústico, pacientes, visitantes. Alguns eram os rostos das pessoas cujas fotos eram exibidas pelos pacientes. Familiares, amigos mortos, celebridades, até o papa. Havia centenas deles.

E a parte mais estranha era que eles não conseguiam descobrir como os rostos haviam chegado lá. As amostras foram testadas; nenhum traço de tinta ou corante foi encontrado. Nada poderia lavá-los e, nos locais de amostras, os rostos eram redesenhados em poucas horas.

Meu rosto estava lá. O mesmo aconteceu com a Amanda. E em sua terceira viagem, Raul encontrou seu rosto.

Os proprietários da Recanto Rústico decidiram por unanimidade vender a propriedade. Quando ninguém o comprou, eles o abandonaram, enviando seus 168 moradores para outras instalações.

Aparentemente, eles tiveram mais problemas com o lugar nos três anos desde a remodelação do que valeu a pena. Houve nove suicídios nesse período - quatro pacientes, cinco funcionários.

Outras mortes misteriosas também. Sobre o que eu tinha falado - a enfermeira deu uma dose extra de Metoprolol porque o "diretor médico" disse a ela. Em outra ocasião, um fisioterapeuta encontrou um paciente cego, não ambulatorial, trancado no banheiro da equipe, morto, com uma tesoura de saindo do peito.

E então, havia a história do edifício. Anteriormente, havia sido usado o alojamento de sem tetos. Raul havia sido chamado lá muitas vezes quando ele era um policial, e sempre tinha uma vibração estranha do lugar. Outros policiais insistiam que o lugar era assombrado.

Em 2001, o prédio quase queimou. Incêndio culposo. Um menino de 12 anos trancou a mãe no quarto dela, pôs fogo no sofá, depois pulou da janela do quarto andar. Sete pessoas morreram, incluindo um oficial da polícia. Antes desse incidente, o garoto estava agindo de forma bizarra, alegando ter visto o fantasma de seu pai, que havia sido assassinado anos antes.

Raul e eu nos despedimos. Eu dirigi para casa. Pensei em Greta, de cabelo alaranjado e pensei em Herbert. Ela viu seu filho morto, ele viu o homem que ele se arrependeu de ter deixado para trás. E Amanda e eu nos vimos. Versões mais felizes e lúgubres uma da outra - versões ainda apaixonadas.

No dia seguinte, fiz algumas pesquisas sobre sósias. Mensageiros de destruição, incorporações do lado negro, como Jekyll e Hyde. Isso me levou à filosofia da sombra da junguiana. A sombra de si é a manifestação de pensamentos maus, egoístas e enterrados. Os pensamentos que você não tem permissão para pensar, os pensamentos que você nega.

Eu pensei sobre o que meu sósia tinha dito: "você não vai dizer obrigado?"

Seja qual for o demônio ou espírito que vivesse naquele porão - ele coletava rostos. Poderia mudar de forma, tornar-se a imagem cuspida de qualquer forma humana que visse, e conhecia nossos desejos e nossos arrependimentos. Nossos medos. Veio para Greta como seu filho, depois usou o amor de Greta para enlouquecê-la. Ele recriou a imagem que Herbert via em seus pesadelos culposos. Eu queria que Amanda me amasse de novo, mas uma parte de mim queria que ela desaparece para sempre. A entidade me deu ambos.

*****

Eu dirijo por esse prédio, às vezes, o ex-Recanto Rústico. O asfalto está rachado agora e as janelas estão quebradas. Eu me pergunto se as paredes mudaram, se há agora mais rostos - talvez aqueles de transientes ou viciados que, ingenuamente, olham para a estrutura abandonada como abrigo.

Às vezes eu pego algo pelo canto do olho, através de uma janela escura. Às vezes parece um rosto humano olhando para mim. Mas eu nunca deixei meu olhar fixar. Tenho medo de ver o rosto dela, meus erros, reviver sua morte e parte de minha culpa inadvertida.

E temo que eu me veja novamente.

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Conto de um metrô de Nova York

Conto de um metrô de Nova York

Escrita Por: Collin Thompson
Traduzida por: Paulo Enrique Garcia

Uma garota chamada Laura estava voltando do trabalho tarde da noite em Nova York. Ela estava um pouco nervosa por pegar o metrô tão tarde da noite, mas ela imaginou que provavelmente não haveria muitas pessoas andando de metrô naquela hora, então ela decidiu economizar o dinheiro do  táxi e pegar o metrô de qualquer maneira.

Quando chegou lá, ficou surpresa ao ver que na verdade haviam três pessoas sentadas ali: dois homens grandes e de terno, com óculos escuros e uma menininha entre eles. Laura ficou surpresa ao ver uma garota tão jovem no metrô a essa hora da noite, mas com base em como ela estava vestida e seus óculos escuros de grife, Laura imaginou que os homens de terno eram guarda-costas da filha de alguém rico. Ela se sentou em frente ao trio; se alguém mais lhe desse problema, tinha certeza de que esses homens fortes a ajudariam.

Na próxima parada, um homem de vinte e poucos anos entrou no metrô na outra ponta do vagão de Laura. Ele estava claramente muito, muito cansado e bastante desleixado. Sua camisa estava enrugada e definitivamente não estava limpa e ele tinha o que parecia ser um dia de barba por fazer. O homem era exatamente o tipo de indivíduo que Laura esperava evitar em sua volta para casa, mas a figura certamente não era páreo para os homens sentados à sua frente.

Enquanto o metrô prosseguia, Laura notou algo estranho. O homem do outro lado do carro olhou para Laura, depois para os homens, depois para a garota e de volta para Laura. Ele fez isso várias vezes antes da próxima parada, quando se levantou e sentou-se algumas cadeiras mais perto de Laura, dos homens e da menininha. Compreensivelmente nervosa neste momento, ela ainda estava confiante de que os homens de terno poderiam lutar contra a o rapaz.

No entanto, os homens não se mexeram, mesmo quando o homem de aparência desarrumada repetiu o processo de olhar para os outros passageiros antes de mover-se alguns assentos mais perto. Depois de várias paradas, ele estava sentado quase ao lado de Laura e, no entanto, ela era a única que parecia incomodada, os homens de terno e a criança permaneciam sem reação.

O coração de Laura bateu quando ela contou mais duas paradas até o apartamento dela. Quão longe os seguranças deixariam o rapaz avançar? Com medo, Laura percebeu que o metrô estava diminuindo à medida que se aproximava da próxima estação. No instante em que as portas se abriram, o estranho agarrou-a pela cintura e carregou Laura, gritando, para fora do metrô. O rapaz a colocou por cima do ombro e correu o mais rápido que pôde, visões de ser roubada, estuprada e assassinada estavam passando por mente. Eventualmente, o homem a colocou no chão. Ele estava ofegante. Ele rapidamente exclamou:

"Senhora, preciso que você se acalme. Meu nome é John, sou estudante da Escola médica de Columbia, trabalho com cadáveres o dia inteiro e te garanto que aquela garotinha não estava viva.”

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

História de Terror - A Noite Da Tormenta

Era uma noite escura e chuvosa. Eu estava em casa sozinho, minha esposa e filha tinham ido ao shopping center fazer compras. A solidão e a tempestade formavam um momento perfeito para escrever. Neste dia eu estava escrevendo uma história para o blog chamada “Uma Verdadeira Obra de Arte”, que eu postei algum tempo atrás, apesar do que me aconteceu nessa noite. Senti como se estivesse tocando em coisas que não deveria.

Eu me lembro bem, olhei para o relógio, eram umas 9 horas e eu estava escrevendo a parte onde o personagem principal fazia um ritual satânico. As imagens do ritual rodavam na minha cabeça como um filme e eu ia adicionando algumas coisas, retirando outras e modificando a ordem com que as ações eram executadas. Lá fora, raios e trovões caiam um atrás do outro enquanto eu escrevia:

“Ele despejou o sangue em cima da bíblia o que fez gerar uma explosão…” - minha escrita foi interrompida por uma queda de energia.

A escuridão me envolveu. Eu olhei a minha volta, com os olhos ainda acostumados a luz e eu não enxergava nada, somente escutava a tempestade lá fora e meus cachorros, Rocky e Luna, correndo em minha direção assustados.

O fato de eu não ter salvo o arquivo não preocupou no momento. Eu estava mais preocupado em socorrer os cachorros e procurar meu celular para iluminar a sala, pois silhuetas sinistras me cercavam. Quando escrevo eu me concentro tanto na história que sinto como se estivesse participando de tudo. A tensão deixou minha imaginação fértil e os móveis e objetos tomavam formas que deixavam desconfortável.

O meu celular estava em cima da minha mesa então não foi difícil encontrá-lo. Os cachorros já estavam do meu lado quando eu liguei a lanterna do telefone. Andei até a cozinha, olhei pela janela que dava para a frente da casa para confirmar que a energia tinha caído em toda vizinhança. A única luz que eu vi parecia vir da lanterna do meu vizinho da frente que estava na varanda olhando a vizinhança. Ele deve ter visto a luz do meu celular por que acenou em minha direção e desapareceu atrás das plantas no seu jardim.

Peguei um saco de doritos no armário e sentei no sofá. Rocky e Luna suplicavam por um pouco do meu petisco, e às vezes, eu jogava um punhado para os dois.

Pelo celular entrei no site de notícias locais, fui na sessão do tempo e coloquei o vídeo da previsão. O meteorologista me deu a má notícia que a tempestade duraria até o dia seguinte. Liguei para minha esposa, mas o celular estava desligado, tentei o da minha filha e também não tive sucesso.

“Bom meus filhos” - disse eu olhando para os cachorros - “parece que a energia não volta hoje”. - completei desolado.

Eu queria terminar de escrever aquela história de terror, eu estava empolgado. As vezes eu escrevo e fico tão empolgado que eu não consigo deixar de pensar na história até eu terminar de escrevê-la.

Continuei a formular a cena do ritual na minha cabeça e ali fiquei por um bom tempo. A tempestade lá fora continuava. Rocky e Luna estavam inquietos, pensei que era por causa da chuva, afinal, que cachorro não tem medo de tempestades?

Rocky deu um pulo do sofá e foi até a porta de vidro da sala que dá para o quintal. Ele começou a latir, ficou de pé e as vezes olhava para trás, pedindo para que eu abrisse a porta. Luna foi logo em seguida e começou a fazer o mesmo. Os dois latiam com raiva, pensei que havia um gato lá fora. Então eu levantei e fui até a porta, os cachorros se prepararam pensando que eu iria abri-la. Olhei para fora mas não vi nada. Voltei para sofá e arrastei eles comigo.

Continuei a fazer algumas anotações pelo celular. Quando de novo os cachorros pularam em direção a porta e começaram a latir. Dessa vez corri também na expectativa de ver um gato correndo.

Eu não estava preparado para o que eu vi. Uma pessoa parada a uns 10 metros da porta olhando para mim. Levei um susto e meu coração deixou de bater por dois segundos. Pensei que iria desmaiar de medo. Fixei meu olhar na silhueta e a reconheci. Era minha esposa.

“Bem, você me matar do coração” - gritei.

“O carro estragou a duas quadras daqui, a Maria ficou lá te esperando. Abre a porta por favor.” - respondeu ela.

“Porque você não bateu na porta da frente. Chega mais perto do vidro não consigo te ver. ” - perguntei ainda sentindo uma pontada no coração.

“Abre a porta” - respondeu ela com uma voz estranha.

Tentei iluminar lá fora com a lanterna do celular, mas ela estava muito longe e a luz não chegou até lá. Mesmo assim ela colocou a mão no rosto tampando a claridade. Achei aquilo muito estranho. Os cachorros latiam como se a pessoa lá fora fosse uma estranha.

“Não acende a lanterna, tenho uma surpresa pra você.” - disse ela tentando soar mais normal.

Naquele momento eu tive a certeza que algo estava errado, mas o que eu ira fazer. Eu tinha que abrir a porta, afinal, era minha esposa lá fora e a curiosidade não me deixava preocupar com a minha segurança.

“Vou procurar a chave.” - respondi.

A chave na verdade estava na porta. O que eu realmente fui fazer foi pegar uma faca na cozinha. Abri a gaveta de talheres e peguei a maior faca havia lá, era uma faca azul que usávamos para cortar carne e estava sempre afiada.

Quando voltei ela estava bem perto da porta, sua silhueta sendo iluminada rapidamente por raios. Meu coração batia forte no meu peito, os cachorros continuavam a latir com mais raiva ainda e a chuva havia intensificado.

Destranquei a porta e coloquei a mão direita na maçaneta, a mão esquerda estava segurando a faca escondida atrás de mim. Fui rodando a maçaneta devagar e um estalo me avisou que porta estava aberta. Ela foi puxada para fora violentamente. Rocky e Luna gritaram. Rocky foi para trás do sofá e Luna correu em direção aos quartos. A silhueta que eu achava ser minha esposa aproximou-se de mim rapidamente.

A energia voltou momentaneamente mostrando com o que eu estava lidando e eu não estava preparado para o que vi. Não sei como chamar aquilo, mas vou tentar descrever a criatura da melhor maneira possível.

Tinha forma mais ou menos humana com tentáculos negros espalhados pelo corpo, mas parecia que não solido, era somente um vácuo negro que ao contato com a luz se dissolvia em uma fumaça cinza. Não tinha rosto, mas ao mesmo tempo eu pude incontáveis aparências diferentes. Era como se fosse tudo e nada em um só corpo.

Nesse segundo de luz, a criatura se afastou tentando buscar um lugar de escuridão. Eu alcancei a maçaneta e puxei a porta. A energia voltou a cair e tudo ficou escuro. Quando a porta estava para fechar senti algo segurando meu braço. Por reflexo, eu trouxe a faca que estava que estava na minha outra mão e tentei cortar o tentáculo que me segurava. Para o meu desespero a faca passou pelo que seria o corpo da criatura como se nada estivesse ali e cortou meu braço.

Soltei a faca e apesar da dor continuei segurando a porta com a outra mão. A porta foi puxada para trás uma vez mais e dessa vez eu não consegui segurar. Caí no chão, senti o celular que estava no meu bolso traseiro quebrando. Mesmo assim eu o peguei porque precisava da lanterna, tinha esperança que ele ainda funcionasse, mas para meu azar não funcionou. A criatura se aproximava de mim eu podia ver que ela sentia-se triunfante.

A única coisa que me restava era fazer uma oração. Lembrei imediatamente de uma medalhinha de São Bento que a minha esposa me presenteou que eu carrego na carteira e da oração que eu a escutei recitar várias vezes. Escutando a voz dela em minha cabeça eu repetia em voz alta:

"A Cruz Sagrada seja a minha Luz. Não seja o dragão o meu guia. Retira-te satanás. Nunca me aconselhes coisas vãs. É mau o que tu me ofereces. Bebe tu mesmo o teu veneno."

Escutei os eletrônicos voltando a vida e a luz piscando. A criatura novamente se assustou e ficou ainda mais furiosa. A energia caiu de novo e novamente eu repeti a oração. Outra vez os eletrônicos deram sinal de vida, a lâmpada que estava sobre mim explodiu. A criatura emitiu um som horrível e a energia voltou a cair depois de uns 3 segundos.

Eu sabia que estava funcionando e fui ganhando confiança. Repetindo a oração pela terceira vez, senti uma onda de energia no meu corpo, começando na cabeça, descendo pelo pescoço e ombros e seguindo até as pontas dos meus dedos. Dessa vez eu sabia que iria funcionar.

A energia voltou uma vez mais, a criatura gritou, deu meia volta e desapareceu na escuridão do meu quintal. Corri para porta e a fechei. A energia acabou e uma vez mais a escuridão me envolveu.

Luna e Rocky novamente decidiram aparecer pouco depois.

“Que guardiões fiéis vocês são viu.” - reclamei aos dois que me ignoraram e subiram no sofá.

Fui até a cozinha, peguei um pano de prato e enrolei o corte no meu braço, pois não tinha como achar o kit de primeiro socorros naquela escuridão.

Sentei no sofá com os cachorros e pensando no que havia ocorrido peguei no sono.

Mais tarde acordei com a minha esposa e filha entrando pela porta da frente. Quase fiquei cego, pois todas as luzes da casa estavam acesas, incluindo a luz que tinha explodido. O rádio estava ligado com o volume no máximo, a banda Avenged Sevenfold tocava a canção “Nightmare”. A dor do corte no meu braço me fez acordar mais rápido. Peguei meu celular no chão, estava com a tela quebrada e não funcionava.

“O que aconteceu” - Perguntou minha filha olhando para faca no chão e o pano enrolado no meu braço.

“A energia acabou e eu estava preparando alguma coisa para comer, acabei me cortando e deixando a faca cair no chão.” - Respondi.

“Que estranho, os relógios eletrônicos não estão piscando.” - notou minha esposa. “Deixa eu ver esse corte” - Completou.

Olhei para o relógio do microondas e vi que realmente não estava piscando e o visor mostrava 9:18, ou seja, mais ou menos 18 minutos depois que que a energia havia acabado. Desenrolei o pano e o corte estava lá, grande e profundo, mas não precisei dar pontos. Pomada, curativo e algumas semanas foram o suficiente para fechar.

Quando terminei de fazer o curativo fui até a casa do Manuel, meu vizinho da frente. Perguntei se a energia havia acabado e ele me disse que esteve em casa a noite toda e em hora nenhuma a energia se foi, apesar de que a luz piscava com os raios.

Ainda hoje tento entender os acontecimentos daquele dia. A faca no chão, o corte no meu braço e meu telefone quebrado me faz pensar que tudo aconteceu como eu acabei de descrever. Mas se a energia nunca acabou, como tudo aconteceu? Quem era a pessoa no jardim do meu vizinho que acenou para mim e foi para trás das plantas? Como eu vi a vizinhança sem energia? Foi tudo um pesadelo? Ou talvez minha sanidade tenha começado a falhar...

Se você gostou dessa história de terror talvez goste de:
Uma Verdadeira Obra de Arte
O Porta-Jóias


terça-feira, 23 de maio de 2017

Nosso canal do YouTube



Olá fãs e amigos do site Contos e Histórias de Terror, é com grande satisfação que venho anunciar o nosso canal no Youtube.

O tema principal do canal é obviamente TERROR, mas não teremos somente histórias de terror. Apresentaremos lugares assombrados, mistérios inexplicáveis ligados ao oculto, dicas de filmes, jogos e muitas outras coisas relacionadas ao nosso tema favorito.

O primeiro vídeo será liberado no dia 7 de Julho de 2017.

Peço a vocês que se inscrevam no nosso canal e fiquem atentos para a liberação dos nossos vídeos.

Para inscrever-se no canal do Youtube clique no botão vermelho


sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

História de Terror - Mente Travessa



Caros leitores,

faz bastante tempo que eu não posto nenhuma história ou conto no blog. O trabalho e a família tem me deixado bastante ocupado e sem tempo de escrever. Espero poder postar mais em um futuro breve.

Alguns dias atrás eu estava procurando um documento e acabei esbarrando nesse conto que escrevi há muito tempo. Eu nunca postei porque eu não sei se eu gostei muito, achei a história um tanto estranha. Me digam o que acharam.

Mente Travessa

O relato que vou contar agora não é para amedrontar ou assustar as pessoas. Não quero forçar a ninguém a acreditar no sobrenatural se eu mesmo, até o dia de hoje, não tenho certeza de que os eventos que contarei realmente se aconteceram ou foram somente o fruto de uma mente sofrida e perturbada. Estou escrevendo esse texto como um desabafo. Cada um que tome suas próprias conclusões levando em consideração as suas próprias crenças.

Eu tinha acabado de entrar na universidade para cursar contabilidade. Eu me lembro bem quando entrei na primeira sala. No meio de toda aquela gente havia uma garota linda, cabelo cor de mel que formava cachos perfeitos e escorriam até seu ombro. Olhos castanhos tão claros que olhando de relance pareciam amarelos e pele cheia de sardas. Ela era bem alta, na verdade ela era alguns centímetros mais alta do que eu, seu nome era Isabela.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

DIGA NÃO AO PLÁGIO



Hoje recebi um email de um leitor do blog pedindo para usar algumas de minhas histórias em um livro. Em circunstancias normais eu deixo as pessoas publicarem (em sites geralmente), desde que, respeitem meu material que é protegido por LEIS AUTORAIS e notem meu nome e site.

Porém fiquei extremamente chateado quando ele me perguntou se a história Terror em Waverly Hills Sanatorium tinha algo a ver com um certo livro, o qual ele me deu o nome do autor, fiquei intrigado e procurei do que se tratava.

O que eu achei me deixou extremamente irritado. Um "escritorzinho" barato, sem talento e sem imaginação plagiou a história, fazendo pequenas modificações para não dar muito na cara.

Pessoal, se querem copiar minhas histórias para postar em sites podem copiar, mas está claro antes de cada entrada as condições.

BY - Atribuição. Significa que você deve incluir de onde retirou a obra e o autor.
NC - Não comercial. Quer dizer que você não pode utilizar o material para ganhar dinheiro.
ND - Não derivação. Previne que o texto seja modificado, assim como fez esse plagiador.

Espero que compreendam. Apesar de que escrever para o blog ser um hobby, as histórias levam tempo e esforço. Minha recompensa são vocês, os leitores, apreciarem meu trabalho e não servir de texto de adaptação para alguns "quero ser escritor" sem talento roubar minhas ideias.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Brincadeira do Copo – Parte 3

Lendas Urbanas
Se você ainda não leu a parte 1 e 2 clique nos links abaixo.
A Brincadeira do Copo - Parte 1
A Brincadeira do Copo – Parte 2

Parte 3 – Na Caverna

Bárbara andava não agüentou o cansaço e dormiu antes do amanhecer. Segundos depois começou a sonhar. Ela estava com a roupa do hospital e descalça. Estava caminhando em uma estrada de terra cercada de arvores dos dois lados. Era noite e a única luz presente vinha da lua nova no céu. Ela estava sozinha, andando sem rumo, até que avistou a silhueta de uma pessoa no horizonte. Ela correu em direção a pessoa e ao aproximar-se viu que se tratava de sua avó que havia falecido dois anos atrás.

“Vovó Emilia?” – disse ela com voz tremula.

Sem dizer nada sua avó abriu os braços. Barbara foi ao seu encontro e a abraçou. As duas se emocionaram e lágrimas escorreram por seus rostos.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Brincadeira do Copo – Parte 2


Se você ainda não leu a primeira parte clique no link abaixo.

A brincadeira do copo - Parte 1

Parte 2 – No hospital

O episódio com os quatro adolescentes foi definido como um acidente causado por uma brincadeira boba. Quando questionaram Bárbara sobre o que tinha acontecido ela disse que, no escuro, tropeçou e caiu várias vezes, esbarrando nas cadeiras. Ela preferiu não contar a verdade, pois quem iria acreditar que com uma brincadeira eles haviam evocado um espírito do mau?

Bárbara estava almoçando quando viu Artur, José e Caio entrarem pela porta de seu quarto no hospital onde se recuperava. Ela sentiu um aperto forte no coração, algo estava errado. Os três, que alguns dias antes eram alegres, fortes e vivos agora pareciam zumbis. Estavam pálidos, com os olhos fundos e andavam curvados.

“Nossa e eu pensando que tinha levado a pior.” – disse ela em seu tom brincalhão.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

A brincadeira do copo

A Brincadeira do Copo
Este é um conto especial para o Halloween e está dividido em três partes. A segunda parte será postada sexta-feira dia 25 e a parte final no dia 31 que é o dia do Halloween.

A história foi baseada na conhecida lenda urbana da brincadeira do copo. Espero que gostem.

Parte 1 – Na Escola

Artur é um adolescente que todos consideram atentado, mentiroso, desafiador, problemático e enxerido. Ele esta sempre se metendo em encrenca e levando outros junto. Ele gosta de invadir casas abandonadas, ir a lugares proibidos e fazer tudo que os adultos dizem que não pode ou é perigoso. Artur vai descobrir que certas coisas são melhores quando deixadas quietas.

Quatro adolescentes estavam sentados na biblioteca da escola onde estudavam quando Artur chegou. Todos ali tinham treze ou quatorze anos. Eram três e meia da tarde e apesar de estudarem de manhã, eles estavam ali para fazer um trabalho.

“Fala ai galera.” – disse ele, vendo todos se virarem em sua direção. “Vocês não sabem o que eu consegui.” – continuou tirando uma caixa da mochila. “Isso aqui é um tabuleiro de ouija. Com esse tabuleiro agente pode brincar da brincadeira do copo.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Uma Verdadeira Obra de Arte

Historias de Terror
O mercado de usados era uma loucura, vendedores gritando na tentativa de atrair clientes enquanto as pessoas caminhavam em um bloco que mais parecia um arrastão na busca de mercadorias boas a preço de banana. Jorge adorava o lugar, ele vinha todos os sábados com seu pai, em quanto sua mãe tomava conta do brechó na periferia que eles eram proprietários. Enquanto seu pai negociava com as pessoas Jorge saía para olhar coisas de seu próprio interesse.

Em um desses sábados ele andava pelo mercado como de costume quando viu um homem muito peculiar para o lugar. Era jovem, bem vestido, bem penteado e tinha uns objetos góticos em sua mesa. Ele se aproximou do homem e começou a analisar os objetos. Havia caveiras, crucifixos, pêndulos, punhais, etc.

“Posso te ajudar?” – Perguntou o vendedor.

“Na verdade estou só olhando, apesar de gostar desse estilo meu pai me mataria se eu comprasse algo tão... tão...”

“Bizarro?”

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Dom Especial

Contos de Terror
Este é um pequeno conto de um acontecimento REAL que aconteceu com uma amiga.

Juliana estava andando no centro da cidade com sua filha Marina de seis anos. Uma mulher se aproximou das duas e disse:

“Essa menina tem um dom muito especial. Ela pode ver e se comunicar com espíritos. Você vai ter que ajudar ela a desenvolver esse dom.” – disse apontando para Juliana.

As duas saíram correndo com medo daquela mulher estranha. Juliana nunca havia acreditado em espíritos então não deu muita importância e acabou esquecendo-se daquele episódio tenebroso.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

O Gato Preto, por Edgar Allan Poe

Edgar Allan Poe
Edgar Allan Poe, O Gato Preto
Não espero nem peço que se dê crédito à história sumamente extraordinária e, no entanto, bastante doméstica que vou narrar. Louco seria eu se esperasse tal coisa, tratando-se de um caso que os meus próprios sentidos se negam a aceitar. Não obstante, não estou louco e, com toda a certeza, não sonho. Mas amanhã morro e, por isso, gostaria, hoje, de aliviar o meu espírito. Meu propósito imediato é apresentar ao mundo, clara e sucintamente, mas sem comentários, uma série de simples acontecimentos domésticos. Devido a suas conseqüências, tais acontecimentos me aterrorizaram, torturaram e destruíram.

No entanto, não tentarei esclarecê-los. Em mim, quase não produziram outra coisa senão horror - mas, em muitas pessoas, talvez lhes pareçam menos terríveis que grotesco. Talvez, mais tarde, haja alguma inteligência que reduza o meu fantasma a algo comum - uma inteligência mais serena, mais lógica e muito menos excitável do que, a minha, que perceba, nas circunstâncias a que me refiro com terror, nada mais do que uma sucessão comum de causas e efeitos muito naturais.